Editores de jornal artificiais?

O Yahoo está utilizando inteligência artificial para selecionar notícias para sua página principal. Um grupo de notícias é selecionado manualmente à moda antiga: por editores de carne e osso. A partir daí, um sistema desenvolvido internamente decide quais notícias serão realmente exibidas, por quanto tempo, e com que grau de destaque. O sistema monitora, em tempo real, a “click through rate”, ou a fração de usuários que clicam na notícia para ler o texto completo.

Como cada texto completo vem com ads, aumentar a fração de cliques tem um impacto direto no faturamento. Os cientistas dizem que o novos sistema aumentou a “click through rate” em 30%.

Um aspecto interessante é que eles tentaram metodos mais sofisticados, como analisar informação semântica sobre o conteúdo de um artigo e personalizar a pagina para cada usuário, mas esses métodos nao apresentaram o mesmo impacto na “click through rate”. A técnica em uso atualmente, aparentemente baseada em um filtro de Kalman, é simples e tem a vantagem de ser facilmente ajustada em tempo real. Esse tipo de ajuste permite que notícias surpreendentemente populares sejam mantidas em evidência por mais tempo, e tambem que o sistema se recupere rapidamente quando faz uma sugestão ruim.

Nao é um computador que pensa, mas é uma aplicaçãoo muito prática (e, ao que tudo indica, lucrativa) de métodos simples. É sempre bom ver pesquisa com esse tipo de foco pé no chão.

Inovação, Inteligência Artificial, Internet 0 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Robôs Criam Pânico em Wall Street

Nessa segunda-feira, dia 8/9, o preço das ações da United Airlinas despencou de US$12,50 para US$3,00 nas bolsas de valores americanas, em apenas 15 minutos. A negociação das ações foi suspensa temporariamente. Tudo isso por causa de um rumor infundado de que a empresa estaria entrando em processo de concordata. O preço das ações voltou ao normal depois que ficou claro que o rumor era falso.

O que aconteceu? Uma combinação de problemas de “burrice artificial” e, claro, a boa e velha burrice natural. A United Airlines realmente entrou em concordata uma vez, mas isso foi em 2002, e isso foi amplamente noticiado pelos jornais.

Pois bem, essa notícia, de dezembro de 2002, de alguma forma apareceu na lista de notícias mais visitadas do site do Chicago Tribune na noite do dia 6/9. Aparentemente, de acordo com o Wall St. Journal, só uma pessoa visitou a notícia, mas o fez durante um período de tráfego muito baixo (afinal era sábado à noite), durante o qual uma visita era o suficiente para colocar a notícia velha entre as cinco mais populares. Burrice artificial número um.

Alguns minutos depois, o robô do Google News fez sua visita periódica ao site do Chicago Tribune, e viu um link que não estava lá antes. A notícia foi baixada mas, como não tinha data, o Google News assumiu a data do dia, que estava no cabeçalho da página que linkava para a notícia antiga. Já era madrugada do dia 7. A notícia foi parar no Google News, sem nenhuma indicação de sua data original de publicação. Burrice artificial número dois.

Aqui entra a burrice natural. A Bloomberg, além daquele canal de TV a cabo com a pior aparência de todos os tempos, também oferece um serviço de notícias em tempo real (com aparência um pouco melhor que a do canal de TV), que é acompanhado por todo mundo no mercado financeiro americano. Algum analista financeiro imbecil viu a notícia e a passou para a Bloomberg. Burrice natural.

Na manhã de segunda feira, mais ou menos uma hora depois que o mercado tinha aberto, a famigerada notícia foi divulgada pela Bloomberg. Hoje em dia há uma grande quantidade de sistemas que “interpretam” o conteúdo das manchetes da Bloomberg e negociam ações com base nessa interpretação. Tudo automatizado. E tem que ser automatizado, porque o tempo de reação é que permite que esse tipo de operação dê lucro: o sistema tem que processar as manchetes, decidir o que fazer e operar antes que os analistas humanos tenham terminado de ler a notícia e tomado suas decisões. Bom, esses sistemas todos concluíram a mesma coisa, venderam tudo que tinham de ações da United Airlines e mais um pouco, e o preço foi pro brejo.

E aí? Esse último foi burrice artificial? A decisão dos sistemas foi correta, dada a informação disponível. Como os sistemas poderiam saber que a notícia era de 2002? Será que não foi burrice natural a falta de alguma salvaguarda?

Eu não sei responder essas perguntas acima, mas sei que essa história mostra o risco que investidores correm hoje em dia porque computadores movimentam um enorme volume de dinheiro nas bolsas sem supervisão cuidadosa de humanos. E esses computadores não estão preparados para lidar com entradas ruins desse tipo. Claro, a velha máxima ainda vale: inteligência artificial não é páreo para burrice natural…

Inteligência Artificial, Internet 3 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Nossos cãezinhos virtuais na Virtual Worlds Expo 2008

Já que estamos falando de conferências, semana passada rolou a Virtual Worlds Expo em Los Angeles. Mais de 1300 visitantes e expositores, e a Novamente estava lá, com um stand, mostrando os cãezinhos virtuais que estamos desenvolvendo por aqui.

Nós gravamos alguns vídeos de demonstração dos cachorros. Quatro vídeos estão disponíveis para quem quiser ver:

Desculpem as animações e arte ainda meio toscas, mas até agora o foco do trabalho tem sido mesmo na inteligência dos bichinhos. Nos próximos meses vamos trabalhar também na robustez do sistema e da interface, e vamos postando mais vídeos quando tivermos novidades interessantes!

Inovação, Inteligência Artificial, Mundos Virtuais 5 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 5.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

Lidando com datasets minúsculos

Há um tempo atrás, escrevi aqui no Tecnologia Inteligente um artigo onde eu criticava algumas esperanças meio irreais sobre o que se pode fazer com bases de dados (ou datasets, o anglicismo que efetivamente usamos o tempo todo no nosso trabalho :) imensamente grandes. Já neste artigo, pretendo analisar um problema que de certa forma é oposto - o das bases de dados pequenas demais.

Sim! Por incrível que pareça, em uma era onde se fala em “dilúvio de dados” em quase todos os campos da Ciência e terabytes rapidamente caminham para a trivialidade, ainda assim às vezes, em certos casos específicos, a quantidade de dados disponível é muito menor do que poderia ser considerado satisfatório. 

De fato, tive inspiração para escrever este artigo porque nas últimas semanas estava lidando com um dataset biológico muito pequeno, com dados caracterizando apenas seis amostras. Ah, sim, aqui é importante frisar que era um dataset pequeno em número de amostras, mas cada amostra era caracterizada pelos valores de expressão de dezenas de milhares de genes, totalizando um tamanho de uns dois megas.

O que, a propósito, há muito parece um tamanho ridículo em nossa era onde facilmente temos arquivos de vários gigas, mas de qualquer modo já é um tamanho humanamente intratável e que exige análises computadorizadas.

Outro comentário pertinente é relacionado com o fato de que muitos podem achar estranho um dataset biológico ser pequeno, já que a fama é de serem enormes. Bom, o caso é que muitas vezes, para certos problemas, coletar dados de um grande número de amostras pode ser difícil, ou caro, ou ambos. Pense em indivíduos com condições médicas raras, ou então em exames médicos que são caríssimos, e vai ser fácil juntar os pontos para ver como aparecem com razoável freqüencia datasets biológicos minúsculos.

Bom, qualquer que seja o motivo da escassez de amostras, como lidar com esses números reduzidos em um estudo de aprendizagem supervisionada? Eu tenho a seguinte receita de bolo de três passos:

Validação leave-one-out

Depois que são treinados com (duh! :) dados de treino, classificadores são validados com dados de teste que eles nunca “viram”, os famosos out-of-sample.  Dado um conjunto inicial de amostras, existem diversas formas de “produzir” conjuntos de teste e treinamento.

A mais simples delas é simplesmente escolher aleatoriamente uma fração (digamos, 2/3) das amostras para treinamento, e usar o restante para teste.

Uma segunda forma mais sofisticada e confiável, que torna mais improvável a seleção de conjuntos de treino e teste irrealmente favoráveis, é a chamada cross-validation.

Nesta política de validação, o dataset inicial é dividido em n subconjuntos com mais ou menos o mesmo número de amostras, e correspondentemente são feitos n pares de treino e teste: no primeiro par o subconjunto 1 é usado para teste e o restante para treinamento; no segundo par o subconjunto 2 é usado para teste e o restante para treinamento; e assim por diante.

Pois bem, no caso de datasets com pouquíssimas amostras, o ideal é usar o leave-one-out (”deixe um de fora“, numa tradução literal que funciona), que é o caso especial de cross-validation onde n é igual ao número de amostras da base - isto é, a cada par só uma amostra é usada como teste e todas as outras para treinamento.

Esse tipo de validação minimiza ao extremo a probabilidade de formação de pares “privilegiados” de treino e teste, a qual já não é tão pequena assim em datasets minúsculos.

Análise de Permutação:

Vamos supor que você foi cuidadoso na fase anterior de validação, usando leave-one-out, e descobriu que seus classificadores têm um desempenho maravilhoso nos dados, com altas acurácias tanto nos conjuntos de treino quanto de teste.

Mas, se você for realmente rigoroso (alguns diriam paranóico, mas a paranóia quase chega a ser uma virtude na Ciência :), deverá considerar a possibilidade de que talvez seus resultados sejam tão bons porque o número de amostras é pequeno e é fácil para o seu algoritmo decorar algumas propriedades numéricas dos dados que *por coincidência* podem ser usadas para distinguir corretamente as categorias (digamos que casos de controles), mas não necessariamente são relacionados com o problema real que está sendo estudado.

A solução para verificar essa terrível possibilidade é fazer a assim-chamada análise de permutação. Esta é um “embaralhamento”: consiste em trocar aleatoriamente os rótulos de categoria entre as amostras. Gerando muitas permutações diferentes e vendo que as acurácias dos testes feitos com dados “embaralhados” são menores que o resultado obtido com os dados reais, pode-se inferir que as acurácias excelentes devem ser também “reais”, correspondendo a padrões relevantes para o problema investigado.

Nota: aqui estou falando em acurácia - que talvez seja a métrica de qualidade de classificação mais comum, óbvia e intuitiva - mas existem outras métricas, e o que estou dizendo aqui usando acurácia também vale para elas.

Comportamento com métodos não-determinísticos:

Às vezes, nem a análise de permutação pode ser suficiente. Se o dataset for muito pequeno mesmo, o número total de permutações pode ser tão modesto que não permite calcular um alto valor de significância estatística.

No dataset de apenas seis amostras que mencionei, o número de embaralhamentos utilizáveis era de apenas 18. Quando se nota que tradicionalmente o limiar de significância interessantemente para os biólogos é de 0.05, ou uma chance em 20 dos seus resultados serem “falsos”, 18 permutações parecem problemáticas para decidir se seus resultados passam nesse limiar. :) Como então contornar essa forma extrema do problema dos datasets pequenos?

Uma opção interessante pode ser usar um método de classificação não-determinístico (por exemplo GA, GP, vários modelos de redes neuronais, etc) e realizar vários testes de classificação sobre os seus dados reais e sobre os dados permutados.

Um método não-determinístico não necessariamente produz o mesmo classificador com os mesmos dados de entrada, e assim no final essa etapa de validação terá gerado um monte de classificadores diferentes - uns melhores, uns piores que os outros. Interessantemente, agora é possível se falar em comparação de distribuições de acurácias, e não de um dado pontual de acurácia nos dados reais versus um pequeno conjunto de acurácias “embaralhadas”.

Essas distribuições podem ser tão grandes quanto se queira - basta gerar mais classificadores de forma não-determinística - e quanto maior o número de pontos amostrais envolvidos, mais estatisticamente significativa será qualquer discrepância entre as distribuições com e sem embaralhamento.

Moral da história

Enfim, o ideal mesmo em vários processos científicos é trabalhar com números grandes de amostras, mas se as vicissitudes da vida um dia obrigarem você a lidar com datasets minúsculos, não se desespere! Com os macetes descritos há uma boa chance de você espremer (admitidamente de forma um tanto lenta e dolorosa)  alguns padrões confiáveis apesar de tudo; ou na pior das hipóteses demonstrar confiavelmente que seu dataset não presta mesmo. :)

Biotecnologia, Data Mining 0 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

TechCrunch 50!

Está rolando em San Francisco a TechCrunch 50, uma grande conferência onde startups se apresentam para a imprensa, investidores, empreendedores e outros formadores de opinião do Vale do Silício. É provavelmente o maior evento dedicado ao lançamento de novos produtos, sites e empresas inovadoras do mundo. As empresas selecionadas (52 de um total de mais de 1000 inscrições) têm que manter seus produtos em segredo até a conferência.

Como a conferência já começou, podemos anunciar que um dos produtos lançados foi desenvolvido todinho aqui no Labs, e está em beta atualmente. O StockMood.com é uma ferramenta para auxílio a pequenos investidores na bolsa dos EUA. O sistema usa processamento de linguagem natural e inteligência artificial para determinar o “tom” (positivo ou negativo) de artigos que saem na imprensa sobre uma empresa.

Correlacionando o tom dos artigos com o movimento do preço da ação ao longo do tempo, ele tenta quantificar o “humor” da ação, e gera alertas quando o humor e o tom dos artigos do dia chegam a valores muito altos ou muito baixos. Esses alertas indicam uma possível reversão dos preços. O sistema de classificação do tom de artigos está longe de ser perfeito, mas os usuários podem corrigir os erros do sistema pelo site, gerando alertas melhores e permitindo que o próprio classificador aprenda com os erros.

Brett Markinson presenting StockMood.com

A foto acima (by Andrew Mager) é do Brett, CEO da nova startup, durante a apresentação. A recepção ao StockMood.com foi geralmente bem positiva, como nesse artigo da Fortune. embora o modelo de negócios da empresa ainda esteja sendo refinado. O beta será limitado, por enquanto, a 1000 usuários cadastrados, então se você achou a idéia interessante e não tem medo do inglês, cadastre-se!

E, finalmente, parabéns a toda a equipe do StockMood.com, especialmente ao Fabrício Aguiar e ao Gustavo Gama, que vocês conhecem um pouco de posts aqui no blog.

Data Mining, Inovação, Inteligência Artificial, Internet, Linguagem Natural, Negócios, Web 2.0 10 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Biocuradores – quem são esses caras?

Saiu na Nature de 4 de setembro de 2008 e na PLoS Computational Biology de 27 de agosto , alguns artigos e comentários sobre o papel dos biocuradores (“biocurators”) na ciência atual.

Mas por que surgiram, quem são e o que fazem esses biocuradores?

Pra começar, eles nasceram com essa grande avalanche de dados, muito falada atualmente, iniciada na última década e com o acesso rápido a todos esses dados por meios eletrônicos.

Um exemplo legal do artigo da Nature: mais de 18 milhões de artigos científicos estão indexados no PubMed, mais de de 260.000 espécies de organismos têm sequências de nucleotídeos depositadas em bases de dados online e foi anunciado recentemente que irão sequenciar 1.000 genomas humanos em três anos para o estudo de SNPs! É realmente um monte de informação pra analisar!

Biocuradores geralmente são biólogos que possuem uma mescla de habilidades que variam desde realizar pesquisas científicas anvançadas, passando por uso e administração de bancos de dados, conhecimento de múltiplos sistemas operacionais e linguagens de script.

Essas habilidades são necessárias exatamente para lidar com essa grande quantidade de dados. Biocuradores lidam com o “raw data”, extraem informações de publicações científicas, marcam, formatam e categorizam os dados e disponibilizam a informação online no final.

Na Plos são citados dois exemplos de biocuradores. Um atua no PDB curando e validando os modelos tri-dimensionais de proteínas lá depositados. Outro no IEDB, um banco de dados sobre imunologia, onde ele extrai informações sobre as sequências desse banco.

Aqui na Vetta, acho que posso dizer que eu o Lúcio e o Kenji compomos o time de biocuradores da Biomind (apesar de eu ser o único biólogo). ;-)

Nas atividades que participo, nós analisamos informações de sets de dados de microarrays, lidando e formatando tabelas com milhares de genes, muitas vezes tentando encontrar notações não redundantes para cada gene e colocando tudo em um formato adequado para rodar as análises de classificação por machine learning. Como diria o Lúcio, é preciso ‘crunchar’ os dados antes de analisar. ;-)

Depois é necessário verificar os resultados, checando as funções de diversos genes em diversas bases de dados, analisando a literatura científica e cruzando as informações pra ver se os resultados obtidos fazem algum sentido biológico.

Dá muito trabalho mas é bastante gratificante, principalmente quando dá certo! ;-)

Biologia, Biotecnologia 0 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...

Bússolas ambulantes

Essa é tão engraçada que merece um post. Saiu na PNAS de 25 de Agosto: gado doméstico (as famosas vacas) e veados campeiros (roe deer) costumam alinhar seus eixos corporais de acordo com o campo magnético da Terra, na direção norte-sul, enquanto pastoreiam ou dormem !

Como isso foi descoberto? Imagens de satélite e também observações de campo. Foram ~8.500 vacas e ~3.000 veados campeiros. Engraçado que ninguém nunca havia reparado esse fenômeno antes.

E ainda não se sabe o porque desse comportamento. Algum resquício da evolução quando eles eram animais migratórios? Será que existe algum sensor em seus cérebros que detectam o campo magnético da Terra?

Agora, se alguém ficar totalmente perdido e sem orientação no campo, já sabe. Olhe uma vaca pastoreando. Sua cabeça provavelmente estará apontando para o norte. ;-)

Biologia 0 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 1.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

Systems biology – com ‘b’ minúsculo

Apesar da modelagem e simulações de sistemas ser uma prática bastante antiga, o grande aumento de dados e informações sobre sistemas biológicos, especialmente na última década, fez surgir um ‘ramo’ da bioinformática denominado Systems Biology.

Trabalhar com systems biology significa criar modelos e simulações que tentam descrever o funcionamento de moléculas, reações bioquímicas e até sistemas celulares inteiros!

Um dos grandes problemas atualmente na system biology é na modificação e reuso de modelos pré-existentes. Parece que os modelos já criados são muito específicos e de difícil entendimento para quem não participou na sua criação. Na tentativa de sanar tal problema, surgiu a SBML, ou Systems Biology Markup Language, que é um formato comum de troca de dados, que usa XML.

A little b, o assunto do post de hoje, é, diferentemente da SBML, uma linguagem de programação open source desenvolvida no intuito de se criar modelos matemáticos de fácil troca e reúso. Criado na Bauer Center for Genomics Research, little b foi desenvolvida em LISP. A escolha da linguagem foi explicada assim: LISP parece conseguir tratar de problemas de grande complexidade com mais facilidade que outras linguagens.

Mais especificamente, LISP parece abstrair a complexidade biologica mais facilmente em linhas de código de fácil entendimento – acho que os computeiros podem explicar melhor , tem algo a ver com o sistema de macros :-)

Para exemplificar melhor, vai abaixo um exemplo interessante de código little b, que pode ser acessado em um curso-rápido disponibilizado: a isomeração de Glucose 6P (G6P) em Frutose 6P (F6P), reação reversível e parte da via glicolítica, catalizada pela enzima Glucose 6P Isomerase (G6PI) - os bioquímicos vão adorar ;-)

G6P + G6PI <-> G6PI + F6P

Para saber mais sobre little b, acessem diretamente o paper publicado ou então a home page. E boa modelagem a todos!

PS: enquanto isso estou esperando uma resposta do Aneil Mallavarapu, um dos autores da linguagem, pra saber por que a linguagem se chama little b :-)

Biologia, Biotecnologia 1 Comentário

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 1.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

OpenCog: Inteligência Artificial livre

Há alguns meses estamos trabalhando em um conjunto de projetos bem interessante aqui no Labs. Normalmente, eu não anuncio projetos em desenvolvimento no blog a não ser que os julgue de interesse de boa parte dos leitores, como foi o caso dos cachorros virtuais. Bom, esse projeto está chegando ao ponto em que podemos (e queremos) recrutar colaboradores externos, e envolve diversas tecnologias que já discutimos por aqui.

O OpenCog é um conjunto de projetos de software livre, relacionados a inteligência artificial. É patrocinado pela Novamente (nosso parceiro nos EUA para projetos de IA) e pelo SIAI (Singularity Institute for Artificial Intelligence), com apoio de outras empresas, entre elas o Vetta Labs (onde hoje duas pessoas se dedicam ao projeto) e o Google (patrocinando estudantes via Google Summer of Code). Estamos empacotando diversas tecnologias que desenvolvemos ao longo dos últimos sete anos, e abrindo seu código para a comunidade. Tomamos essa decisão porque acreditamos que os projetos que fazem parte do OpenCog estão se aproximando de um nível de maturidade em que podem ser muito úteis para pesquisadoras em IA e áreas correlatas, e atrair uma comunidade ao redor dos mesmos nos permitirá continuar seu desenvolvimento de forma mais rápida que vínhamos conseguindo dentro da Novamente e do Labs, onde o trabalho de pesquisa sempre tem que competir por recursos com objetivos mais focados em necessidades imediatas dos clientes que pagam as contas.

O OpenCog é composto de um framework que oferece uma fundação para o desenvolvimento de diversos métodos de IA, em uma abordagem de sistemas multiagentes, que trabalham sobre uma base de conhecimento comum. Além do framework, o programa inicial inclui projetos de processamento de linguagem natural (inclusive as tecnologias mencionadas no excelente post introdutório do Murilo), raciocínio probabilístico e computação evolutiva. Combinando esses projetos é possível construir sistemas para uma enorme variedade de objetivos.

Um desses sistemas exemplo será a versão software livre dos
nossos cachorros virtuais, que estamos criando sob patrocínio da RealeXtend e estará disponível em outubro.

Fomos agraciados esse ano também com 11 projetos patrocinados pelo Google Summer of Code. Nada mal para um programa recém-lançado. É o mesmo número de projetos aprovados para a Debian, e mais que muita gente famosa obteve: Wikimedia Foundation, One Laptop Per Child, GCC e outros. O leitor interessado pode conferir os projetos aqui. Quando esses projetos forem concluídos devemos postar mais detalhes por aqui.

Recentemente nós completamos a documentação de boa parte dos planos de longo prazo para o OpenCog, na forma de um “wikibook“. Existem também um canal de IRC, listas de discussão, blogs e uma rede social dedicados ao OpenCog. A partir de setembro, teremos discussões semanais sobre os planos e projetos do OpenCog no IRC. Com tudo isso, espero que leitores com formação técnica e interesse por inteligência artificial se sintam encorajados a se juntar ao time OpenCog. Serão muito bem vindos.

Inteligência Artificial 2 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 1.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

Pra que se exercitar?! Tome as pílulas do Dr. Evans!

Antes eu havia falado da pílula contra o envelhecimento, agora a novidade pode ser o surgimento das pílulas do exercício! E elas têm coisas em comum.

O Dr. Ronald M. Evans, do Salk Institute em San Diego- EUA, foi o cientista que liderou um estudo usando duas drogas, a Aicar e a GW1516, em camundongos. O experimento consistia em administrá-las e depois medir a resistência física de camundongos em esteiras elétricas.

A Aicar se mostrou tão efetiva no aumento da resistência como são os exercícios físicos. Ela parece sinalizar ao organismo para que sejam mais produzidos músculos com fibras do tipo 2 (com mais mitocôndrias, boas para resistir à fadiga). Dessa forma os camundongos aumentaram sua resistência muscular sem fazer esforço. Surpreendente. :-D

Já a GW1516 também mostrou aumento na resistência física, porém os camundongos precisavam fazer um pouco de exercício para que houvesse um efeito similar ao da Aicar.

Ambas as drogas atuam ativando uma proteína, a PPAR-delta, que está relacionada na sinalização para a célula queimar gordura. O mais interessante é que o Resveratrol também participa na ativação da PPAR-delta. E também já foi provado que doses grandes de resveratrol aumentam bastante a resistência física de camundongos na esteira.

Bom, ainda existe muita pesquisa a ser feita e essas drogas ainda não foram testadas em seres humanos (apesar do resveratrol já ser vendido como suplemento alimentar em alguns países). Agora já podemos pensar duas vezes antes de usar a frase “no pain, no gain”. ;-)

Biologia 0 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 3.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

« Previous Entries Next Entries »