Computação pervasiva e casas que pensam

9:35 am Automação, Inteligência Artificial, Linguagem Natural

Tenho visto nas livrarias uma verdadeira inundação de livros editados ou re-editados na esteira do sucesso de Dan Brown. A excelente idéia de misturar fatos históricos com ciência e ficção de uma maneira sutil e homogênea, quando feita seguindo uma proporção mágica que apenas os bons autores conseguem inferir, pode realmente resultar em livros divertidos, leves e muito gostosos de se ler. Claro que isso é mais ou menos como cozinhar: os mesmos temperos misturados em proporções diferentes geram resultados em um amplo espectro que vai do sofrível ao meu-Deus-isso-é-uma-perdição!

Li há pouco tempo um livro que alguns amigos meus classificariam como “honesto”. O estilo da autora é meio vamos-no-trivial-pra-não-errar mas o pano de fundo é bem interessante. “A Origem Perdida” da Matilda Asensi, fala sobre línguas antigas das tribos indígenas sul-americanas com personagens ultra-modernos que desfiam um número impressionante de termos, gadgets e até mesmo gírias do obscuro mundo dos computeiros de profissão.

Eu me lembrei desse livro quando li o excelente post do Fabrício sobre Computação Ciente de Contexto . No livro um dos personagens tem uma casa espetacular com um computador de última geração que funciona ao mesmo tempo como secretária, governanta, conselheira e psicóloga. Tudo no feminino porque o tal personagem foi quem supostamente escreveu o software que roda na tal máquina e ele teve o compreensível e louvável bom-senso de colocar características femininas nas “interfaces” do sistema (o nome pelo qual ele se o chama, a voz no sintetizador, o “rosto” digital que aparece na tela etc.).

A casa é toda controlada por esse software de IA. Desde persianas nas portas e janelas até o sistema de aquecimento central, passando por streams de aúdio e vídeo direcionados a diversos canais disponíveis na casa e comandados por voz (não comandos “secos”, mas interpretação de linguagem natural). O tal sistema chegava ao ponto de “fritar o ovo”, dando ordens em linguagem natural a empregados domésticos (cozinheiras, copeiros etc) minutos antes de acordar o dono da casa para que seu café-da-manhã estivesse pronto e quentinho na hora certa em sua cama. Realmente invejável… O cara tinha toda a casa às suas ordens, mandava e desmandava o tempo todo, falava mais grosso para ressaltar prioridades, xingava horrores para dar feedbacks negativos que eram sempre humildemente ouvidos pelo sistema, que agradecia pela oportunidade de aprender com os próprios erros. Tudo isso sem sofrer o desgaste psicológico por estar sendo escroto com os empregados! (Opa… tem gente que me falaria que isso é um ponto negativo :-)).

Claro que a autora foi coerente e esse personagem sofre no livro porque não consegue arrumar mulher! :-)

Mas o que achei bacana é que tirando a parte do cérebro de IA que dava conselhos e interpretava/gerava linguagem natural, pouco há de ficção nessa casa inteligente. De fato, hoje temos um conjunto de sensores e atuadores (grande parte deles adaptados da automação industrial) que se usados em conjunto com técnicas apropriadas de computação ciente de contexto em uma arquitetura bem planejada podem perfeitamente compor um sistema residencial “inteligente”, ou pelo menos inteligente o suficiente para impressionar até mesmo um computeiro experimentado.

Eu acabei de ler um livro sobre casas inteligentes e vou postar em breve mais informações sobre isso. Na verdade minha intenção inicial era já colocar tais informações neste post mas acabou que falei pelos cotovelos e o texto já está bem grandinho, então fica para a próxima.