Automação residencial – 2/3

7:54 am Automação, Inteligência Artificial

Continuando o post sobre automação residencial, vou falar um pouco sobre cada subsistema que citei no artigo original.

Sistemas de abastecimento e controle de fluidos e detritos

O básico é o controle e distribuição de água potável e GLP. Sensores, válvulas e bombas permitem monitorar e manipular os dois subsistemas de maneira bem eficaz. Tarefas como as seguintes podem ser facilmente implementadas:

  • Controlar o nível de água na(s) caixa(s) d’água(s), emitindo alarmes em caso de pouca água e/ou acionando bombas ligadas a reservatório(s) subterrâneos.
  • Chavear entre o uso de água “da rua” e água “da caixa” em áreas externas da casa.
  • Controlar a quantidade de GLP disponível (no caso de GLP envasado) e emitir alarme em caso de necessidade e/ou fazer o pedido. diretamente junto à distribuidora.
  • Controle do nível de água quente.
  • Auditoria de consumo de água e GLP.
  • Temporização de sistemas de irrigação (hortas, por exemplo).
  • Chaveamento do uso de água potável ou pluvial coletada em caixas especiais.
  • Alarmes em caso de vazamentos de GLP e/ou água, inclusive com identificação do local onde foi detectado o vazamento.

Além dessas, o sistema pode ser responsável por monitorar/controlar os mecanismos de tratamento de esgoto normalmente presentes na casa (caixas de diluição, caixas de gordura etc). Monitorar fossas assépticas é uma feature particularmente útil que pode evitar grandes transtornos. Residências mais sofisticadas podem ainda ter sistemas de reciclagem de esgoto e detritos orgânicos captando o metano gerado por esse tipo de material e armazenando para uso futuro em sistemas de aquecimento. Outro sistema pouco usual no Brasil mas que é bastante difundido na Europa e nos EUA é o sistema central de aspiração de pó. Basicamente é uma bomba de vácuo potente ligada a uma rede de encanamento com saída em todos os cômodos da casa que se deseja aspirar. A pessoa responsável pela limpeza só precisa conectar uma mangueira à saída em um cômodo e ligar o sistema para que o pó seja sugado para o coletor central.

Sistemas de gerenciamento de energia elétrica

Esses sistemas já são bastante populares em grandes consumidores de energia elétrica mas poucas residências os possuem. Basicamente permitem:

  • Auditoria do consumo de energia.
  • Economia no consumo de energia através do controle adequado de iluminação (acender e apagar determinadas lâmpadas em sistuações específicas).
  • Monitoramento e alarme em caso de sobrecarga de utilização de circuitos, evitando desarmes desnecessários e potencialmente até mesmo incêndios.
  • Proteção eletrônica dos circuitos contra variações de tensão e corrente e contra sobrecargas devido a queda de raios.
  • Chaveamento para sistemas de reserva/emergência. Eventualmente geradores a diesel ou mesmo circuitos de iluminação de emergência ligados a baterias recarregáveis.

Sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado

Esse é um típico sistema para o qual se encontra no mercado equipamentos com interface padronizada e bastante amigável. Conhecidos no mercado como sistemas HVAC (Heating, Ventilation and Air Conditioning), são responsáveis pela climatização dos ambientes. O mais tradicional são os aparelhos de ar-condicionado tipo “split”, com o compressor/condensador separado do ventilador. Versões com aquecedores são também bastante comuns mas o aquecimento pode ser delegado a outros tipos de dispositivos (serpentinas de água ou vapor quente em paredes, chão ou espostas, como é bastante comum nos EUA). No segundo caso, a integração com os sistemas de aquecimento de água (elétrico ou a gás) é essencial.

A cara “high tech” vem quando esses sistemas são integrados a persianas para controle de luminosidade e ventilação natural. Em regiões muito frias, por exemplo, o controle da ventilação natural é essencial para um controle eficaz (em termos de qualidade e em termos de consumo de energia) de temperatura. Tais persianas vêm com atuadores na forma de pequenos motores silenciosos que abrem ou fecham placas de metal com o objetivo de vedar/deixar passar luz e vento

Redes de computadores

Acho até que eu poderia “pular” esse item. :-) Mas vale a pena ressaltar algumas coisas:

  • Conectividade: a rede tem de estar disponivel 24/7 em qualquer lugar da casa. Roteadores wireless são muito bem vindos mas não se deve contar apenas com eles. Muitos equipamentos vêm com interfaces ethernet padrão, então é importante cabear toda a casa.
  • O acesso à internet tem de ser de boa qualidade (confiabilidade e banda) para que os sistemas de monitoramento remoto e eventuais interfaces diretas com fornecedores (GLP, por exemplo) possam ser confiáveis.
  • Se o usuário quiser monitorar seu sistema remotamente e/ou ter a possibilidade de atuar a distância, é preciso se preocupar com sistemas de segurança digital mais sofisticados. Definitivamente o usuário não ia querer ver as imagens de suas câmeras de segurança sendo distribuidas na internet e menos ainda ter seu banho frustrado por um hacker que conseguiu acesso a seu sistema de controle de temperatura da água e resolveu cortar o fornecimento de água quente para os banheiros :-).
  • Todos os elementos de monitoração e atuação devem estar acessíveis via rede. Isso é essencial para permitir a integração no nível requerido pela domótica.