Automação residencial – 1/3

8:00 am Automação, Inteligência Artificial

Fiquei devendo um post sobre domótica e computação pervasiva. Eu li um livro sobre o assunto que peca por ser muito superficial mas tem a vantagem de sumarizar amplamente a maioria dos conceitos envolvidos com automação residencial e redes domésticas de uma forma geral. Trata-se de “Residências Inteligentes“, de Caio Augustos Morais Balzoni. Aliás, “Computação Pervasiva” é um neologismo técnico medonho. A expressão se refere a sistemas de computação que “permeiam” o dia-a-dia da pessoa na medida em que ela realiza suas tarefas cotidianas, informando, auxiliando e dando suporte sempre que possível.

Na minha opinião, o grande erro dos textos sobre automação residencial é encarar esse tipo de automação como uma extensão ou um caso particular de automação industrial. Um caso típico de preguiça intelectual, onde os autores se valem de toda a estrutura didática já existente para explicar um conceito e fazem apenas os “ajustes” para explicar outro. Nem mesmo o nome “automação” é adequado para a área, uma vez que o que o pretenso usuário busca com sistemas dessa natureza não é automatizar tarefas repetitivas mas melhorar sua experiência de vida na própria casa. Claro que automatizar tarefas não é nada mal, mas isso é apenas um dos meios possíveis para se alcançar o objetivo de um sistema doméstico dessa natureza: promover o bem-estar das pessoas que vivem na casa.

No contexto de uma casa, há muitas maneiras de se tirar proveito de um equipamento eletrônico ou de um software para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes. Alguns exemplos:

  • Sistemas de abastecimento e controle de fluidos e detritos (água, gás, esgoto, aspirador etc)
  • Sistemas de gerenciamento de energia elétrica
  • Sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado
  • Redes de computadores
  • Controle de iluminação
  • Detecção e combate a incêndios
  • Sistemas de vigilância e segurança (patrimonial)
  • Controle de acesso
  • Serviços de telefonia
  • Distribuição de áudio e vídeo

Para cada um dos pontos acima existe no mercado uma série de sensores, atuadores e outros tipos de equipamentos (assim como softwares de controle) que podem ajudar a “automatizar” os processos de maneira bem eficaz. Se você procurar um bom texto sobre automação residencial, vai encontrar sugestões sobre como implementar cada um desses sistemas com nomes e especificação de sensores e atuadores, os protocolos que cada um fala, limitações de projeto etc etc etc. Mas o grande desafio para se projetar uma casa inteligente não é isso. O grande desafio é responder a essas duas questões:

  1. Qual é o diferencial, em termos de bem-estar, que cada “feature inteligente” da casa traz para os moradores?
  2. Como eu posso integrar todos os sub-sistemas que dão suporte a essas “features inteligentes” de maneira que a casa possa ser usada por seus moradores de maneira agradável e prazerosa, como se fosse um grande organismo capaz de falar sobre si mesma e de prover serviços diversos para o entretenimento e bem-estar dos moradores?

Se você negligenciar quaisquer dessas duas questões não terá um projeto de “casa inteligente” no sentido estudado pela domótica. Terá, no máximo, uma casa high tech bem espertinha capaz de “impressionar as garotas” mas toda a parafernália eletrônica vai acabar se comportando como um exército que é muito bem equipado mas que não tem uma hierarquia de comando.

Claro que a resposta a essas questões passa por conceitos que nada ou pouco têm a ver com computação, mas um projeto bem estruturado é um bom ponto de partida:

  1. A maioria dos equipamentos de automação industrial têm alguma interface de comunicação (ethernet, serial etc) mas, infelizmente, não existe padronização nos protocolos de monitoração e controle. O primeiro passo, portanto, é criar um protocolo de comunicação padronizado com drivers para cada tipo de equipamento.
  2. Considerando tal protocolo comum é possível trabalhar em uma arquitetura que seja técnica e comercialmente viável e que, principalmente, atenda perfeitamente a todos os requisitos não funcionais de usabilidade, tempo de resposta etc. Claro que os requisitos funcionais são importantes (se voce pede ao sistema para tocar uma música, você não quer que ele entre errado num “if” e acabe te preparando um café espresso) mas nesse tipo de sistema, o verdadeiro desafio são os requisitos não funcionais.
  3. Usabilidade. Sem interfaces fáceis e intuitivas o mais sofisticado dos sistemas de IA seria praticamente inútil no contexto do uso doméstico. Planeje com muito cuidado cada tipo de interface do sistema.
  4. Parta para a ação procurando componentes que tenham interfaces de controle mais simples ou padronizadas. Subsistemas com vários componentes que falam um mesmo protocolo também facilitam o trabalho.

Com relação a cada subsistema, o mercado oferece muita coisa para automação residencial (uma boa parte dos equipamentos são, inclusive, herdados da automação industrial). Nos próximos dois posts eu trarei mais detalhes sobre cada um. É só aguardar para conferir :-)

1 Resposta
  1. laura :

    Date: março 29, 2009 @ 9:18 am

    Vou mudar e gostaria de me informar sobre as empresas q fornecem equipamentos para automação residencial. Se puder ajudar…
    Obrigada