Explicando extinções em massa

7:10 am Uncategorized

Interessante esse artigo da Seed Magazine.  Desde o surgimento da vida na Terra houveram diversos episódios de extinção em massa, durante os quais um enorme número de espécies desapareceu.  O exemplo mais famoso é a extinção dos dinossauros, que abriu o caminho para que os mamíferos se tornassem a forma dominante de vida animal, tomando o lugar dos répteis.

O artigo descreve como, há 250 milhões de anos, houve outra extinção em massa causada por uma combinação de aquecimento global e erupções vulcânicas, que levou a um aumento da concentração de sulfido de hidrogênio na atmosfera.  O H2S é o responsável pelo fedor dos ovos podres e, em concentração suficientemente elevada, é mortal.

Pois essas concentrações foram mortais para a grande maioria das espécies animais existentes há 250 milhões de anos.  Por outro lado, algumas espécies conseguiram sobreviver, incluindo os primeiros proto-mamíferos.  O artigo sugere uma explicação com enorme potencial para o tratamento de pacientes em risco de vida.

Enquanto altas concentrações de H2S podem matar, baixíssimas concentrações parecem induzir um estado de animação suspensa, em que a temperatura corporal cai bastante e os batimentos cardíacos quase cessam.  Isso pode ter sido o suficiente para algumas espécies de proto-mamíferos, que sobreviveram o período de extinção em massa hibernando a maior parte do tempo.

E o nosso corpo produz automaticamente pequenas doses de H2S quando sofremos ferimentos graves.  Até recentemente, ninguém sabia o por quê disso.  Uma possibilidade é que seja um resquício evolutivo dessa era.  E outra possibilidade, mais especulativa, é que usar doses controladas de H2S em pacientes com ferimentos graves, para induzir hipotermia, pode ser parte de uma forma de tratamento eficaz, pois evitaria que os danos se espalhassem pelo corpo e daria mais tempo aos médicos para intervir.

Médicos nos EUA usaram um tratamento similar (hipotermia moderada induzida artificialmente) para tratar um jogador de futebol americano com uma lesão na medula espinhal.  A recuperação do jogador, que normalmente deveria ficar tetraplégico com uma lesão dessas, foi espantosa.

Claro, eu não sou médico e não entendo nada disso.  Pode ser tudo um enorme absurdo.  Eu só achei a idéia interessante ;-)

2 Respostas
  1. Chico Lobo :

    Date: abril 30, 2008 @ 5:26 pm

    Cássio,

    Legal demais o post, especialmente a parte da hibernação causada por H2S. Eu só não concordo quando você fala que os mamíferos são a “forma de vida dominante animal”, já que um quarto de todas as espécies vivas conhecidas são… besouros! E eles aparentemente surgiram antes mesmo dos dinossauros (http://en.wikipedia.org/wiki/Beetle#Evolutionary_history_and_classification). Escrevi essa parte só prá ser um biólogo chato mesmo, eu entendi que você quis se referir aos vertebrados quando você se refere a animais. Mas, mesmo dentre os vertebrados, os mamíferos possuem só ~ 5.400 espécies descritas (http://en.wikipedia.org/wiki/Mammals), enquanto as aves possuem ~ 10.000 (http://en.wikipedia.org/wiki/Birds). No mais, legal demais o post e o blog! Continuem divulgando aregonalidades científicas divertidas!

  2. Cassio :

    Date: abril 30, 2008 @ 6:34 pm

    Valeu, tio. Eu não sei se concordo com número de espécies para definir forma de vida dominante. Afinal, especiação é mais fácil para organismos mais simples. Talvez algo baseado em biomassa ou, melhor ainda, impacto sobre o contexto evolutivo de outras espécies. Mas isso é bem difícil de quantificar. Que tal você escrever um post como autor convidado, por falar nisso?