Alan Turing

Antes de chegarmos ao centésimo post deste blog (será o próximo), não podíamos deixar passar em branco que exatamente ontem, véspera de dia de São João, também foi o aniversário de uma das pessoas mais importantes da ciência da computação, o matemático britânico Alan Turing.

Graças ao Turing, temos o conceito de algoritmo e construções lógico-matemáticas como a máquina de Turing (uma abstração que descreve o funcionamento de uma máquina lógica determinística, exatamente como nossos computadores) e o teste de Turing, que descreve um procedimento que diferenciaria uma pessoa de um programa, com base na inteligência do interlocutor, ou em sua capacidade de mimetizar a inteligência de um ser humano real.

Assim, Alan Turing não só teorizou sobre o funcionamento dos computadores muito antes deles existirem, mas também lançou sementes de discussão sobre a Inteligência Artificial.

Alan Turing também passou maus bocados desde o início da guerra fria por conta de seu homossexualismo que era condenado (mais ainda) na época. Em 1954, Alan Turing morreu por suicídio, comendo uma maçã envenenada, uma referência à Branca de Neve (que alguns atribuem erroneamente à logo colorida da maçã da apple). Um triste fim para um gênio: morrer por causa do preconceito e da intolerância da “moral” do pós-guerra.

A vida de Alan Turing também rendeu um filme feito para a TV em 96 chamado “Breaking the code” (não sei se chegou a sair no Brasil). E no site oficial do Turing, há também uma “oração“, um texto muito legal e crítico do Andrew Hodges, que escreveu o livro “Enigma“, talvez a mais bem conhecida biografia de Turing.

Mas este post não é apenas para homenagear o Alan Turing, mas também para anunciar a parceria do Instituto Turing, o braço de pesquisa e educação do Vetta Labs, com a ETEG, uma empresa que dentre outras atividades, é referência em treinamento de TI em Belo Horizonte. A ETEG disponibiliza, junto com seu rol de cursos (a grande maioria relacionada a JAVA), os cursos de Eclipse RCP e BIRT, AJAX Básico, Toolkits AJAX e Ruby On Rails. Fica a dica.

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Dia das Mães no Tecnologia.Inteligente.

Como hoje é dia das mães, um post sobre a mãe da computação, Ada Lovelace.

Estará ela apaixonada? Espero que os deuses a tenham feito tudo, exceto poética - já é o bastante um louco desse tipo na família.” Lord Byron (1788-1824)

Se Charles Babbage (1792-1871) for o pai da computação, inventor da “máquina analítica” de cartões perfurados, Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron, pode ser considerada a mãe.

A história de Ada é no mínimo curiosa, já que sua contribuição para a computação é polêmica, um tanto devido ao contexto da época em que vivia e a forma como acontecia a produção científica naquela época.

Ada nasceu em 1815, e sempre teve problemas graves de saúde desde a infância, piorados devido aos horríveis tratamentos da época, morrendo aos 36 anos de câncer no útero (o que não a impediu de ter 3 filhos).

Desde pequena, Ada foi incentivada a aprender matemática pela mãe, Lady Byron, como uma forma de se afastar da “loucura poética” de seu pai. Ada manteve o interesse pelas ciências, em especial pela matemática, por toda a sua vida, inclusive após o casamento (naquela época, não tinha muito dessa coisa de se interessar por outra coisa que não o marido e os filhos depois do casamento).

Casada, Ada morou em Park Ockhan, na vila de Ockhan, onde morou também o filósofo William of Ockhan, o criador da Navalha de Occam. O que será que tem na água desse lugar? ;-) .

Curiosamente também, nessa época, acreditava-se que as ciências eram “tarefa de homem”, porque acreditava-se que a pesquisa científica exigia uma contrapartida de sacrifício fisiológico, e claro, os homens eram aqueles que podiam arcar com este custo… então você pode imaginar o que Ada e sua mãe passaram naquela época, aos olhos dos demais.

Ada, aos 17, foi apresentada a Babbage, com 41, e a Wikipedia diz que ambos não mantinham um relacionamento amoroso (pelo menos por parte de Ada, embora pelas cartas de Babbage, isso não fique lá muito claro). Ada era chamada carinhosamente por Babbage de “a feiticeira dos números”.

Embora Ada não tivesse um bom conhecimento formal de matemática, tinha uma razoável intuição matemática, que a levava a questionar porque a geometria não podia lidar com mais de 3 dimensões (e pode) por exemplo. Mas o maior insight de Ada foi mostrar para Babbage que sua máquina podia usar algarismos para representar entidades, inserindo a álgebra ao invés do puro cálculo aritmético e inventando a primeira variável da programação. Convenhamos, nada mal para um insight ;-) .

Ada contribuiu para os estudos de Babbage, chegando a corrigir um de seus “programas”, e se tornou, considerada por muitos, a primeira “programadora”, e porque não, a primeira “debugadora” :-) .

Na década de 80, o departamento de defesa americano batizou uma linguagem de programação com seu nome, encomendada para uso em sistemas de missão crítica, em especial, controle de equipamentos para aviões.

Vale lembrar que a máquina de Babbage só foi efetivamente construída depois do bicentenário do nascimento de Babbage, por ser um projeto extremamente caro. Naquela época, não haviam muitos órgãos de fomento fora o governo e alguns mecenas, então vale ressaltar, para o contexto da época, que o trânsito que Ada tinha nos círculos do poder e da alta academia foram fundamentais para a divulgação do trabalho de Babbage.

Ada depois se envolve em várias pesquisas menores, e em alguns casos, patéticas, e morre 1 ano depois de dilapidar a fortuna da família em hipódromos com a ajuda de John Crosse, seu amigo e aficcionado das probabilidades. 3200 libras, e as jóias da família foram penhoradas.

Uma vida curta, porém intensa.

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