O Futuro, tal como não o conhecemos

Interessante esta iniciativa do The Washington Post de se aliar ao Predictify e criar um mecanismo onde as pessoas podem ler notícias e dar seus palpites futurísticos. E além das pessoas poderem palpitar, as que acertarem mais podem ser premiadas também. Em dinheiro. Bandeira levantada pelo site Techcrunch.

Por um lado, podemos até pensar que hajam pessoas com informação e capacidade analítica suficientes para fazer boas previsões de muitas coisas. Há inclusive sites de apostas que apostam sobre praticamente qualquer coisa, desde resultados de jogos até oscilações de humor da bolsa. Tentar prever o futuro é um jogo e tanto.

Mas o grande jogo aqui certamente não é prever o futuro, mas envolver os leitores do jornal. Web 2.0 na veia. Afinal, predições também são uma forma de emitir opinião.

Interessante que a ciência também está sempre atrás de predições. Lembrei de um livro que eu comprei mas que, uh… eu não gostei, chamado Chance Discovery, onde o Yukio Ohsawa explica sua teoria que busca basicamente insights nos dados que não se “encaixam” no padrão, com aplicações que vão desde a predição de terremotos (afinal, é um autor japonês, e terremotos são uma coisa séria por lá), oscilações na bolsa, até prospecção de novas oportunidades de negócios, criação de novos produtos, e muitos et ceteras. Isso tudo, claro, incluindo o elemento humano na análise, como fator fundamental na produção do insight.

Apesar de não ter gostado do livro, ainda assim há análises na web que conseguem extrair uma discussão interessante, como este post que mantém um pé atrás no ceticismo, comparando o autor ao Genichi Taguchi, cujo trabalho influenciou por exemplo o Six Sigma, da famigerada Qualidade Total, e ressaltando a importância do fator subjetivo na análise.

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Aplicações móveis baseadas em localização

(nota do editor: para comemorar o centésimo post do blog, nossa primeira contribuição feminina para o blog, de Thais Braga Silva, doutoranda em Ciência da Computação pela UFMG)

Há alguns dias atrás li uma notícia sobre um software chamado Loopt

veja aqui um vídeo sobre o lançamento

O Loopt é utilizado para estabelecimento de redes sociais móveis baseadas em localização, lançado para o IPhone 3G. Como o assunto está relacionado de alguma forma à minha tese de doutorado em desenvolvimento, resolvi pesquisar um pouco sobre ele e descobri que foi desenvolvido por uma pequena empresa do vale do silício que sobrevive ainda de financiamento de risco, podendo ser utilizado não só pelo IPhone, mas em diversos modelos de celulares e smartphones.

O Loopt é um aplicativo muito interessante que explora a noção de posicionamento global do usuário para encontrar e contactar amigos que estejam em um certo círculo de proximidade. Aplicativos desse tipo são chamados de Location-based (baseados em localização) e têm se tornado cada dia mais comuns, principalmente com a popularização do uso de dispositivos GPS em equipamentos móveis.

Esses aplicativos representam uma primeira geração de serviços baseados em contexto e utilizam apenas a informação de localização como dado contextual para oferecer serviços personalizados ao usuário. A tendência é que muitos outros dados desse tipo possam ser incluídos como entradas para os aplicativos, sendo utilizados para aumentar a noção desses sobre as necessidades, preferências, desejos, condições físicas e psicológicas do usuário.

Em linhas gerais, o Loopt é capaz de:

  • mostrar para o usuário seu posicionamento global em um mapa;
  • permitir que o usuário interaja com o mapa, arrastando-o em todas as direções;
  • mostrar o posicionamento de amigos no mapa;
  • compartilhamento entre amigos de suas posições globais e atividades realizadas;
  • criação e compartilhamento de perfis de usuários de acordo com o gosto e a necessidade de cada um;
  • troca de mensagens dentro de uma determinada faixa de proximidade (as mensagens podem conter inclusive fotos tiradas pelos usuários, as quais já são enviadas com a localização do usuário anexada);
  • aviso de alerta quando algum amigo estiver se aproximando;
  • compartilhamento de comentários e fotos sobre lugares visitados.

O Loopt foi desenvolvido por uma empresa do mesmo nome do produto, a qual é ainda considerada uma startup. A história dessa empresa está ligada a outros dois posts que apareceram recentemente por aqui, falando sobre a miniaturização do capital de risco e desenvolvimento de software para o IPhone.

Em 2005 os sócios-fundadores, então alunos de graduação em ciência da computação da universidade de Stanford, conseguiram fundos da empresa Y Combinator (mencionada no post do Cassio como uma das empresas de capital de risco que oferecem investimentos pequenos e de curta duração) e passaram suas férias de verão em laboratórios da mesma, desenvolvendo a idéia do produto.

Ainda em 2005, motivados e inspirados com suas idéias, os sócios largaram a universidade, convidaram mais alguns amigos para fazerem parte da empresa e conseguiram finalizar uma versão estável da ferramenta. Em outubro de 2005 a empresa conseguiu levantar um capital de risco de U$5M de duas empresas: a Sequoia Capital e a New Enterprise Associates. Essas são duas grandes empresas de capital de risco, que foram investidores de empresas como Google, Yahoo!, PayPal, dentre outras.

Em 2006, contando com uma equipe formada, um bom capital financeiro, e a versão inicial do Loopt pronta para entrar em ação, a empresa lança seu software em conjunto com empresas de telefonia celular dos Estados Unidos. Atualmente a empresa possui parceria com as principais operadoras americanas e o Loopt pode ser instalado em mais de 65 modelos de aparelhos celulares, dentre eles o IPhone.

Thais Braga Silva é bacharel e mestre em computação pela UFMG. Atualmente cursa o doutorado na mesma instituição, na área de computação móvel ciente de contexto.

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Pense globalmente, aja localmente

Se há uma ferramenta que potencializa os esforços individuais, esta se chama internet. Basta ver o que o Open Source representa hoje.

Quando o google lançou o Google Maps, muita gente parou por um momento e pensou “porque eles estão investindo nisso?”. E de fato, o Google, como qualquer empresa, já tentou várias iniciativas sem sentido ou que não deram certo, mas tentar, e algumas vezes falhar, faz parte do jogo da inovação.

O Google Maps deu muito certo. E abriu o olho de muita gente para a importância da “localidade” das coisas, potencializada pela proliferação das plataformas mobile e das redes wireless.

Uma boa idéia que andou ganhando algum espaço da mídia especializada foi a iniciativa da Outside.In, que explora as interações do que estão chamando de (adoro novos termos…) hiperlocalidade. Blogs, notícias, redes sociais de pessoas relacionadas a um conjunto de quarteirões por exemplo. De onde você mora. Dos seus vizinhos. Da padaria que fica perto da sua casa.

Obviamente, uma aplicação para ambientes urbanos, de preferência, os grandes centros, onde é possível haver massa crítica para fazer isso funcionar. Imagine entrar numa comunidade onde você passa a conhecer seus vizinhos (eu mal conheço os do meu prédio). Ou o comércio perto do seu serviço. Fica sabendo das fofocas, ou dos assaltos na região que aquele moço da imobiliária esqueceu de te contar.

A grande adesão de brasileiros ao Orkut, aliado à incrível capacidade das pessoas de criar comunidades do que quer que seja quase permite isso hoje em dia naquela plataforma. Pode apostar que em qualquer rua em que você morar, pessoas já terão criado as comunidades “eu moro na rua tal” ou “eu moro no prédio tal”. Claro. Redes sociais servem para conhecer pessoas. E conhecer seus vizinhos é a coisa mais velha do mundo.

Só nos resta saber se a idéia da Outside.In vai se pagar. Bem, no último round de financiamentos, eles levantaram US$ 3 mi, então eu diria que eles podem pelo menos tentar ;-)

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