E o anti-iPhone?

E a Apple anunciou o iPhone 3G, baixou o preço de compra (mas a AT&T, que tem exclusividade nos EUA, aumento o preço dos planos, então no balanço ficou mais caro) e diz que fechou com parceiros em 70 países. A Claro vai vender o iPhone 3G no Brasil até o fim do ano. Ainda não se sabe quanto vai custar, se vem com fidelização obrigatória até a terceira geração e outros detalhes. Mas os viciados em gadgets estão em polvorosa. E tem muita gente de olho nas possibilidades de desenvolver software para o iPhone. Não é à toa. É um aparelho com potencial revolucionário, e já tem até fundo de capital de risco dedicado exclusivamente a financiar empresas que desenvolvam para o iPhone. O nome? iFund, claro…

Há quem diga que até o fim do ano que vem a Apple deve vender 15 milhões de iPhones no mundo todo. Não é pouco, mas é menos de 1.5% do número de telefones celulares vendidos por ano no mundo. Em 2007, foram vendidos 1.15 bilhões de telefones. Pode ser revolucionário com 1.5% de market share? Claro que pode, afinal é um produto high end e que atrai early adopters de tecnologia.

Mas esses números mostram uma outra possibilidade. De acordo com a venerável The Economist, ainda esse ano teremos mais de 3.3 bilhões de usuários de telefonia celular no mundo. Ou seja, mais da metade da população do mundo terá um celular. A expectativa da Portio, uma empresa britânica especializada em pesquisa de mercado celular e wireless, é que a penetração chegue a 75% da população mundial até 2011. Sabe aquela história que até servente de pedreiro tem celular hoje em dia? Pois é, daqui a pouco os serventes de pedreiro da África também vão ter.

Claro que a imensa maioria desses usuários está na chamada “base da pirâmide”. Gente pobre, pobre mesmo, com o aparelho mais barato possível e plano pré-pago. A inclusão dessa numerosíssima base da pirâmide no mercado de consumo é um dos grandes desafios de estratégia corporativa e de marketing desse começo de século, e os celulares mostram algumas idéias interessantes de como isso pode acontecer.

Um exemplo que eu adoro é o M-PESA, desenvolvido pela Vodafone e pela Safaricom, uma operadora no Kênia. É um sistema simples de mobile banking, no qual você transfere dinheiro via SMS. Sistemas de pagamento via celular como o Oi Paggo estão se popularizando no Brasil, e o Banco do Brasil já tem uma iniciativa de mobile banking. Mas o potencial transformador do M-PESA é que ele funciona com quem não tem conta no banco. Com quem é pobre e excluído demais pra isso.

Uma combinação óbvia de mobile banking e base da pirâmide é usar mobile banking para microcrédito. Reduz burocracia, permite uma dispersão maior dos fundos, e tem um mecanismo interessante de incentivo ao pagamento — pode-se deduzir uma fração de cada recarga do plano pré-pago feita pelo devedor. Se ele não pagar o empréstimo, o celular é bloqueado.

Essa é só uma possibilidade. Eu acho que, embora o iPhone seja um produto interessante e com grande potencial para inovação, o pessoal que pensa em criar startups devia olhar também pra base da pirâmide. É um mercado grande demais e, finalmente, os estrategistas corporativos estão inventando maneiras para deixar de ignorá-lo.

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O fenômeno Twitter

Twitter é a mais nova revolução da Web 2.0. Não tão nova assim em tempo de internet, mas explosiva do mesmo jeito. É uma combinação de rede social e micro-blogging.

Você pode escrever micro-posts (o limite é 140 caracteres). Seus amigos recebem seus posts e podem respondê-los. É altamente viciante (um motivo pelo qual optei por me abster). Você pode enviar posts pela interface web, por aplicações desktop, ou via SMS. A opção de postar pelo celular e o limite de tamanho dos posts encorajam uma comunicação frequente e espontânea, parecida com a de mensagens instantâneas como MSN e Google Talk.

Um diferencial é que seus posts também vão (se você permitir, claro) para uma grande linha do tempo pública. Quando os posts de todo mundo são agregados dessa forma, muitas vezes surge um Zeitgeist instantâneo: tópicos que dominam a atenção coletiva dos Twitters em um dado momento.

No bom espírito Web 2.0, o Twitter disponibiliza uma bela API. Essa API, combinada com a linha do tempo pública, levou a diversas aplicações divertidas. Por exemplo, o Twitterverse é uma tag cloud que mostra as palavras mais frequentes na linha do tempo na última hora. Já o TwitterBuzz mostra os sites mais linkados na linha do tempo. E tem usos mais especializados. O Politweets mede a popularidade dos pré-candidatos a presidente dos EUA com base no número de posts (também chamados de tweets). E os candidatos mais antenados com a internet usam o Twitter para enviar propaganda.

O Twitter também tem utilidade pública. Os bombeiros de Los Angeles começaram a usar o Twitter para postar alertas e coordenar atividades via celular no combate aos incêndios florestais de outubro do ano passado, e ainda usam o Twitter até hoje. Outra aplicação legal (essa eu quero aqui pro Brasil com urgência) é o Commuter Feed, que recebe mensagens de motoristas e posta informações em tempo real sobre o trânsito em diversas áreas metropolitanas dos EUA.

Ah, e o Twitter é escrito em Ruby on Rails ;-)

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Computação ciente de contexto

Quem não gostaria que seu celular automaticamente se programasse para despertar em um determinado horário, considerando a sua agenda do dia e outras variáveis como trânsito e clima? Ou que, ao chegar em casa, o som tocasse uma música de acordo com o seu humor? E que, ao viajar para algum lugar desconhecido com um simples PDA, todo o planejamento turístico fosse feito para você de acordo com seus desejos, preferências, sua quantidade de dinheiro para gastar, dentre outros aspectos, e que esse planejamento ainda fosse dinamicamente adaptado ao longo do dia de acordo com variáveis inesperadas detectadas no ambiente?

Essas aplicações citadas (e muitas outras que poderiam ser mencionadas) estão relacionadas a uma área de pesquisa chamada computação ciente do contexto, ou seja, hardware e software capazes de considerar qualquer informação que possa ser usada para caracterizar a situação de uma pessoa, lugar ou objeto, para prover informações e/ou serviços relevantes para usuários.

Essa área de pesquisa, apesar de não ser recente, ainda apresenta vários desafios técnicos.

Muitos trabalhos científicos da área lidam com a aquisição (ou sensoriamento) e modelagem de contextos físicos (localização, clima, tempo, por exemplo). Porém, ainda é pouco explorado na aquisição e interpretação de contextos lógicos. Por exemplo, como seria possível identificar que o usuário está de bom ou mau humor? Ou que ele está com fome? E que, quando ele está de bom humor, ele prefere escutar músicas de Jazz?

Estive pensando em como abordar o problema dos contextos lógicos e, relacionando com trabalhos desenvolvidos aqui no Labs, vejo que técnicas de aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural seriam uma boa opção. Por exemplo, todos os diálogos do usuário poderiam ser categorizados e rankeados para que no final do dia seja possível identificar seu humor. Mais interessante ainda seria se, além do conteúdo dos diálogos, fosse identificado também o tom de voz. Assim uma discussão no trânsito seria percebida e ajudaria na identificação do humor.

Além da questão de identificação de contextos lógicos, pode-se considerar que a automatização de tarefas cientes de contexto é uma tendência forte de pesquisa na área. Dessa forma, haverá uma grande necessidade de se desenvolver técnicas ligadas a inteligência artificial para diversos aspectos dessa área em geral.

Enquanto essas soluções não viram aplicações para usuários finais, continuamos imaginando como seria mais fácil a vida se nossos dispositivos computacionais fossem cientes do nosso ambiente…

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