Não se pode ter wi-fi sem energia

De uns dias para cá, saíram algumas notícias interessantes sobre como as pessoas estão usando soluções energéticas para viabilizar acesso web wireless.

Era só uma questão de tempo mesmo. Mas é bacana, uma vez que comunicação é uma necessidade em grande parte do nosso mundo rural e/ou subdesenvolvido, e com as redes wireless, nos libertamos da necessidade de caros investimentos em cabeamento. O próximo passo que está sendo dado é libertar da dependência dos provedores de energia elétrica, que também não chegam nestes rincões.

A primeira notícia, prata da casa, é do professor Marcelo Zuffo, da USP que desenvolveu um sistema wireless movido a energia solar em postes.

A idéia, obviamente, não é nova. Essas redes que podem ser montadas rapidamente e a uma fração do custo de uma rede cabeada se mostra especialmente útil tanto nos ambientes inóspitos quanto em áreas afetadas por desastres naturais. Algumas ONGs também já estão apoiando iniciativas mais organizadas neste sentido, como o projeto Green WiFi.

Não bastassem juntar duas tendências bacanas como WiFi e energia alternativa, podemos ainda juntar ao conceito de inovação movida a crowdsourcing e citar mais um exemplo.

Crowdsourcing é uma palavra que está na moda ultimamente, que não deixa de ser uma forma requentada do que o conceito de open source fez pela indústria tecnológica nos últimos anos, aplicada a outras formas de produção que usam a web e o potencial de alcançar uma gama imensa de pessoas e talentos pela web.

E quando a rede não chega longe o bastante, você pode mandar pessoas de moto irem levar e buscar seus pacotes IP (ou suas mensagens de email) como fazem no Camboja. (eu lembro de ter visto coisa parecida sobre a Índia, porém usando ônibus, mas não achei a referência. Acho que foi no google tech talks).

Aposto que você nunca mandou seu motoboy ir buscar seu email. Pelo menos, não o eletrônico ;-).

Ubiquidade, de verdade, é isso aí.

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Aplicações móveis baseadas em localização

(nota do editor: para comemorar o centésimo post do blog, nossa primeira contribuição feminina para o blog, de Thais Braga Silva, doutoranda em Ciência da Computação pela UFMG)

Há alguns dias atrás li uma notícia sobre um software chamado Loopt

veja aqui um vídeo sobre o lançamento

O Loopt é utilizado para estabelecimento de redes sociais móveis baseadas em localização, lançado para o IPhone 3G. Como o assunto está relacionado de alguma forma à minha tese de doutorado em desenvolvimento, resolvi pesquisar um pouco sobre ele e descobri que foi desenvolvido por uma pequena empresa do vale do silício que sobrevive ainda de financiamento de risco, podendo ser utilizado não só pelo IPhone, mas em diversos modelos de celulares e smartphones.

O Loopt é um aplicativo muito interessante que explora a noção de posicionamento global do usuário para encontrar e contactar amigos que estejam em um certo círculo de proximidade. Aplicativos desse tipo são chamados de Location-based (baseados em localização) e têm se tornado cada dia mais comuns, principalmente com a popularização do uso de dispositivos GPS em equipamentos móveis.

Esses aplicativos representam uma primeira geração de serviços baseados em contexto e utilizam apenas a informação de localização como dado contextual para oferecer serviços personalizados ao usuário. A tendência é que muitos outros dados desse tipo possam ser incluídos como entradas para os aplicativos, sendo utilizados para aumentar a noção desses sobre as necessidades, preferências, desejos, condições físicas e psicológicas do usuário.

Em linhas gerais, o Loopt é capaz de:

  • mostrar para o usuário seu posicionamento global em um mapa;
  • permitir que o usuário interaja com o mapa, arrastando-o em todas as direções;
  • mostrar o posicionamento de amigos no mapa;
  • compartilhamento entre amigos de suas posições globais e atividades realizadas;
  • criação e compartilhamento de perfis de usuários de acordo com o gosto e a necessidade de cada um;
  • troca de mensagens dentro de uma determinada faixa de proximidade (as mensagens podem conter inclusive fotos tiradas pelos usuários, as quais já são enviadas com a localização do usuário anexada);
  • aviso de alerta quando algum amigo estiver se aproximando;
  • compartilhamento de comentários e fotos sobre lugares visitados.

O Loopt foi desenvolvido por uma empresa do mesmo nome do produto, a qual é ainda considerada uma startup. A história dessa empresa está ligada a outros dois posts que apareceram recentemente por aqui, falando sobre a miniaturização do capital de risco e desenvolvimento de software para o IPhone.

Em 2005 os sócios-fundadores, então alunos de graduação em ciência da computação da universidade de Stanford, conseguiram fundos da empresa Y Combinator (mencionada no post do Cassio como uma das empresas de capital de risco que oferecem investimentos pequenos e de curta duração) e passaram suas férias de verão em laboratórios da mesma, desenvolvendo a idéia do produto.

Ainda em 2005, motivados e inspirados com suas idéias, os sócios largaram a universidade, convidaram mais alguns amigos para fazerem parte da empresa e conseguiram finalizar uma versão estável da ferramenta. Em outubro de 2005 a empresa conseguiu levantar um capital de risco de U$5M de duas empresas: a Sequoia Capital e a New Enterprise Associates. Essas são duas grandes empresas de capital de risco, que foram investidores de empresas como Google, Yahoo!, PayPal, dentre outras.

Em 2006, contando com uma equipe formada, um bom capital financeiro, e a versão inicial do Loopt pronta para entrar em ação, a empresa lança seu software em conjunto com empresas de telefonia celular dos Estados Unidos. Atualmente a empresa possui parceria com as principais operadoras americanas e o Loopt pode ser instalado em mais de 65 modelos de aparelhos celulares, dentre eles o IPhone.

Thais Braga Silva é bacharel e mestre em computação pela UFMG. Atualmente cursa o doutorado na mesma instituição, na área de computação móvel ciente de contexto.

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E o anti-iPhone?

E a Apple anunciou o iPhone 3G, baixou o preço de compra (mas a AT&T, que tem exclusividade nos EUA, aumento o preço dos planos, então no balanço ficou mais caro) e diz que fechou com parceiros em 70 países. A Claro vai vender o iPhone 3G no Brasil até o fim do ano. Ainda não se sabe quanto vai custar, se vem com fidelização obrigatória até a terceira geração e outros detalhes. Mas os viciados em gadgets estão em polvorosa. E tem muita gente de olho nas possibilidades de desenvolver software para o iPhone. Não é à toa. É um aparelho com potencial revolucionário, e já tem até fundo de capital de risco dedicado exclusivamente a financiar empresas que desenvolvam para o iPhone. O nome? iFund, claro…

Há quem diga que até o fim do ano que vem a Apple deve vender 15 milhões de iPhones no mundo todo. Não é pouco, mas é menos de 1.5% do número de telefones celulares vendidos por ano no mundo. Em 2007, foram vendidos 1.15 bilhões de telefones. Pode ser revolucionário com 1.5% de market share? Claro que pode, afinal é um produto high end e que atrai early adopters de tecnologia.

Mas esses números mostram uma outra possibilidade. De acordo com a venerável The Economist, ainda esse ano teremos mais de 3.3 bilhões de usuários de telefonia celular no mundo. Ou seja, mais da metade da população do mundo terá um celular. A expectativa da Portio, uma empresa britânica especializada em pesquisa de mercado celular e wireless, é que a penetração chegue a 75% da população mundial até 2011. Sabe aquela história que até servente de pedreiro tem celular hoje em dia? Pois é, daqui a pouco os serventes de pedreiro da África também vão ter.

Claro que a imensa maioria desses usuários está na chamada “base da pirâmide”. Gente pobre, pobre mesmo, com o aparelho mais barato possível e plano pré-pago. A inclusão dessa numerosíssima base da pirâmide no mercado de consumo é um dos grandes desafios de estratégia corporativa e de marketing desse começo de século, e os celulares mostram algumas idéias interessantes de como isso pode acontecer.

Um exemplo que eu adoro é o M-PESA, desenvolvido pela Vodafone e pela Safaricom, uma operadora no Kênia. É um sistema simples de mobile banking, no qual você transfere dinheiro via SMS. Sistemas de pagamento via celular como o Oi Paggo estão se popularizando no Brasil, e o Banco do Brasil já tem uma iniciativa de mobile banking. Mas o potencial transformador do M-PESA é que ele funciona com quem não tem conta no banco. Com quem é pobre e excluído demais pra isso.

Uma combinação óbvia de mobile banking e base da pirâmide é usar mobile banking para microcrédito. Reduz burocracia, permite uma dispersão maior dos fundos, e tem um mecanismo interessante de incentivo ao pagamento — pode-se deduzir uma fração de cada recarga do plano pré-pago feita pelo devedor. Se ele não pagar o empréstimo, o celular é bloqueado.

Essa é só uma possibilidade. Eu acho que, embora o iPhone seja um produto interessante e com grande potencial para inovação, o pessoal que pensa em criar startups devia olhar também pra base da pirâmide. É um mercado grande demais e, finalmente, os estrategistas corporativos estão inventando maneiras para deixar de ignorá-lo.

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Pense globalmente, aja localmente

Se há uma ferramenta que potencializa os esforços individuais, esta se chama internet. Basta ver o que o Open Source representa hoje.

Quando o google lançou o Google Maps, muita gente parou por um momento e pensou “porque eles estão investindo nisso?”. E de fato, o Google, como qualquer empresa, já tentou várias iniciativas sem sentido ou que não deram certo, mas tentar, e algumas vezes falhar, faz parte do jogo da inovação.

O Google Maps deu muito certo. E abriu o olho de muita gente para a importância da “localidade” das coisas, potencializada pela proliferação das plataformas mobile e das redes wireless.

Uma boa idéia que andou ganhando algum espaço da mídia especializada foi a iniciativa da Outside.In, que explora as interações do que estão chamando de (adoro novos termos…) hiperlocalidade. Blogs, notícias, redes sociais de pessoas relacionadas a um conjunto de quarteirões por exemplo. De onde você mora. Dos seus vizinhos. Da padaria que fica perto da sua casa.

Obviamente, uma aplicação para ambientes urbanos, de preferência, os grandes centros, onde é possível haver massa crítica para fazer isso funcionar. Imagine entrar numa comunidade onde você passa a conhecer seus vizinhos (eu mal conheço os do meu prédio). Ou o comércio perto do seu serviço. Fica sabendo das fofocas, ou dos assaltos na região que aquele moço da imobiliária esqueceu de te contar.

A grande adesão de brasileiros ao Orkut, aliado à incrível capacidade das pessoas de criar comunidades do que quer que seja quase permite isso hoje em dia naquela plataforma. Pode apostar que em qualquer rua em que você morar, pessoas já terão criado as comunidades “eu moro na rua tal” ou “eu moro no prédio tal”. Claro. Redes sociais servem para conhecer pessoas. E conhecer seus vizinhos é a coisa mais velha do mundo.

Só nos resta saber se a idéia da Outside.In vai se pagar. Bem, no último round de financiamentos, eles levantaram US$ 3 mi, então eu diria que eles podem pelo menos tentar ;-)

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Tecnologia vai às compras

Os mais novos talvez não se lembrem, mas em 1986, José Sarney, então presidente, lançou o Plano Cruzado, que instituía, dentre várias medidas, uma tabela de preços congelados, que as donas de casa levavam ao supermercado. Muitas usavam inclusive um bottom escrito “Fiscal do Sarney”. Havia inflação e os preços mudavam a toda hora. Pesquisar preços naquela época era um filme de terror.

Toda vez que eu vou ao supermercado, eu me lembro, com inveja, daquele filme Nikita, quando a Anne Parillaud sai do treinamento nos porões secretos do inteligência francesa e vai para sua primeira compra de supermercado. Obviamente, ela só compra porcarias e ainda lasca uma cantada no cara do caixa… (obviamente funciona, afinal, ela é a Anne Parillaud) mas um detalhe que eu nunca esqueci: cada carrinho de supermercado tem um leitor de código de barras. Ah, como é bom o primeiro mundo… Nikita foi filmado em 1990.

Me lembra também de um professor do DCC (acho que era o Meira) que uma vez comentou que todo dia de manhã, enquanto ele tomava banho, ele ficava pensando em coisas novas que poderiam ser inventadas. Uma idéia dele era o shopping onde, ao entrar, cada pessoa recebesse um palm que fosse um catálogo de produtos e que automaticamente começasse um leilão entre as lojas do shopping. O mais curioso, ele deve ter falado disso uns 10 anos atrás. 1998? Algo assim.

Mesmo hoje em dia, o custo seria proibitivo, mas as pessoas estão tendo cada vez celulares melhores e mais próximos da funcionalidade dos antigos palms. E não me parece tão inverossímil assim que um celular com GPS ou RFID pudesse localizar as lojas mais próximas e mostrar a “vitrine” adaptativamente.

Ao longo dos últimos 20 anos, nossa economia mudou, e também a relação dos consumidores com os produtos. Mas o que isso tudo tem a ver com inovação tecnológica?

Bem, para quem não acompanhou aqueles boatos do “google phone” (as pessoas achavam que o google ia lançar um aparelho no mercado), o google está entrando rapidamente no mundo dos mobiles através do Google Android, que é uma plataforma de desenvolvimento mobile sustentado por um consórcio bastante significativo de empresas de telefonia.

Como toda boa plataforma, as pessoas compram por causa das funcionalidades e uma das melhores formas de desenvolver aplicativos e ter boas idéias é fazer um concurso. O Google simplesmente falou “vamos distribuir 10 milhões entre os melhores aplicativos desenvolvidos para o Android”, com prêmios que vão de 25.000 doletas para os 50 primeiros com direito a adicionais de 150.000 e 250.000 para cada grupo de 10 primeiros desta lista.

Bem, saiu a lista dos ganhadores e dentre eles (várias idéias boas, como era de se esperar), uma aplicação chamada AndroidScan (tem um vídeo neste link tb), que transforma o celular num leitor de código de barras, dando informações e comparação de preços daquele produto. Afinal, não é só fotografar o código de barras?

Já pensou o que os fiscais do Sarney fariam com um celular destes?

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O fenômeno Twitter

Twitter é a mais nova revolução da Web 2.0. Não tão nova assim em tempo de internet, mas explosiva do mesmo jeito. É uma combinação de rede social e micro-blogging.

Você pode escrever micro-posts (o limite é 140 caracteres). Seus amigos recebem seus posts e podem respondê-los. É altamente viciante (um motivo pelo qual optei por me abster). Você pode enviar posts pela interface web, por aplicações desktop, ou via SMS. A opção de postar pelo celular e o limite de tamanho dos posts encorajam uma comunicação frequente e espontânea, parecida com a de mensagens instantâneas como MSN e Google Talk.

Um diferencial é que seus posts também vão (se você permitir, claro) para uma grande linha do tempo pública. Quando os posts de todo mundo são agregados dessa forma, muitas vezes surge um Zeitgeist instantâneo: tópicos que dominam a atenção coletiva dos Twitters em um dado momento.

No bom espírito Web 2.0, o Twitter disponibiliza uma bela API. Essa API, combinada com a linha do tempo pública, levou a diversas aplicações divertidas. Por exemplo, o Twitterverse é uma tag cloud que mostra as palavras mais frequentes na linha do tempo na última hora. Já o TwitterBuzz mostra os sites mais linkados na linha do tempo. E tem usos mais especializados. O Politweets mede a popularidade dos pré-candidatos a presidente dos EUA com base no número de posts (também chamados de tweets). E os candidatos mais antenados com a internet usam o Twitter para enviar propaganda.

O Twitter também tem utilidade pública. Os bombeiros de Los Angeles começaram a usar o Twitter para postar alertas e coordenar atividades via celular no combate aos incêndios florestais de outubro do ano passado, e ainda usam o Twitter até hoje. Outra aplicação legal (essa eu quero aqui pro Brasil com urgência) é o Commuter Feed, que recebe mensagens de motoristas e posta informações em tempo real sobre o trânsito em diversas áreas metropolitanas dos EUA.

Ah, e o Twitter é escrito em Ruby on Rails ;-)

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Computação ciente de contexto

Quem não gostaria que seu celular automaticamente se programasse para despertar em um determinado horário, considerando a sua agenda do dia e outras variáveis como trânsito e clima? Ou que, ao chegar em casa, o som tocasse uma música de acordo com o seu humor? E que, ao viajar para algum lugar desconhecido com um simples PDA, todo o planejamento turístico fosse feito para você de acordo com seus desejos, preferências, sua quantidade de dinheiro para gastar, dentre outros aspectos, e que esse planejamento ainda fosse dinamicamente adaptado ao longo do dia de acordo com variáveis inesperadas detectadas no ambiente?

Essas aplicações citadas (e muitas outras que poderiam ser mencionadas) estão relacionadas a uma área de pesquisa chamada computação ciente do contexto, ou seja, hardware e software capazes de considerar qualquer informação que possa ser usada para caracterizar a situação de uma pessoa, lugar ou objeto, para prover informações e/ou serviços relevantes para usuários.

Essa área de pesquisa, apesar de não ser recente, ainda apresenta vários desafios técnicos.

Muitos trabalhos científicos da área lidam com a aquisição (ou sensoriamento) e modelagem de contextos físicos (localização, clima, tempo, por exemplo). Porém, ainda é pouco explorado na aquisição e interpretação de contextos lógicos. Por exemplo, como seria possível identificar que o usuário está de bom ou mau humor? Ou que ele está com fome? E que, quando ele está de bom humor, ele prefere escutar músicas de Jazz?

Estive pensando em como abordar o problema dos contextos lógicos e, relacionando com trabalhos desenvolvidos aqui no Labs, vejo que técnicas de aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural seriam uma boa opção. Por exemplo, todos os diálogos do usuário poderiam ser categorizados e rankeados para que no final do dia seja possível identificar seu humor. Mais interessante ainda seria se, além do conteúdo dos diálogos, fosse identificado também o tom de voz. Assim uma discussão no trânsito seria percebida e ajudaria na identificação do humor.

Além da questão de identificação de contextos lógicos, pode-se considerar que a automatização de tarefas cientes de contexto é uma tendência forte de pesquisa na área. Dessa forma, haverá uma grande necessidade de se desenvolver técnicas ligadas a inteligência artificial para diversos aspectos dessa área em geral.

Enquanto essas soluções não viram aplicações para usuários finais, continuamos imaginando como seria mais fácil a vida se nossos dispositivos computacionais fossem cientes do nosso ambiente…

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Minerando os dados dos celulares

Este post comenta ESTE ARTIGO (inglês)

Quem: Sandy Pentland, MIT

Definição: Mineração de Realidade Pessoal (Personal reality mining) infere relações e comportamento através de técnicas de data mining coletada a partir do uso de celulares

O MIT soltou uma lista das tecnologias mais promissoras para os próximos anos, e dentre elas, havia este esotérico termo chamado “reality mining”. Hypes à parte, nada mais é que data mining em cima de dados pessoais obtidos através de celulares, uma tecnologia que agora está na mão de muita gente. Pense em todas as possibilidades, para o bem e para o mal, que um celular com GPS pode oferecer.
Além de, claro, ter um grande volume de dados, reality mining também tem tudo a ver com outra tendência: as redes sociais. Afinal, o que são os celulares senão outra interface que liga você aos seus amigos, familiares, colegas de trabalho, etc? E isso vai desde a análise de padrões de comportamento até o rastreamento de doenças infecciosas, como SARS.

A polêmica óbvia em cima disso é: as pessoas querem ter suas intimidades esmiuçadas neste nível de granularidade? Entra no debate as questões éticas e morais, a privacidade e etc, mas o fato é que, sob vários aspectos, a tecnologia permite a extração de várias informações que irão interessar muita gente.

Data mining não é uma ciência nova e está presente em nossas vidas há muito tempo. Dizem que quem mais conhece sua vida é seu gerente de banco. Analisando anos de extratos bancários, não é difícil ver onde você gastou com livros para a faculdade, se você passou aperto ou não, se vc progrediu no seu emprego, quando vc se casou, quando vc teve filhos, quando você precisou pagar por coisas caras e relevantes, ou até se você é fiel ou não no seu casamento.

Números não mentem. Mas também não esclarecem, se a análise não for bem feita. Data mining é extrair conhecimento através da análise de bases de dados. É encontrar e interpretar padrões, para diversos fins. Desde conhecer melhor seu objeto de estudo até tentar prever ações futuras.

Lembrei imediatamente de uma piadinha sem graça. Maria liga no celular do Manoel, que atende desesperado dizendo “Maria! Como descobriste que eu estava a te trair no motel?”

Pode ser uma piada mais sem graça ainda depois que deixar de ser piada ;-).

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