Tatem e Trendzz na final do Desafio Brasil 2010

Na semana passada participamos – com duas empresas diferentes! – da final nacional do Desafio Brasil 2010.  Foi uma experiência tão rica, divertida e interessante que eu não poderia deixar de comentar a respeito!

O Desafio Brasil 2010 é uma competição de start-ups (empresas em estágios iniciais de desenvolvimento) de base tecnológica, que é promovida desde 2006 pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo). O Desafio tem o apoio de diversos parceiros, dentre eles a Intel e (a partir desse ano) a Microsoft, e em sua edição mais recente também realizou finais regionais em 8 cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte.

Das mais de 160 empresas inscritas, 24 delas foram selecionadas para a final nacional. As 8 empresas selecionadas no primeiro dia do evento disputam, no dia seguinte, as 4 vagas para a final latino-americana do Desafio Intel, e os vencedores vão para os Estados Unidos participar do IBTEC (Intel+UC Berkeley Technology Entrepeneurship Challenge).

Além da competição propriamente dita o Desafio é uma oportunidade espetacular para networking e para ser visto e avaliado por investidores e outros players importantes da indústria de private equity e venture capital do Brasil, incluindo, é claro, os chamados investidores anjos. O simples fato de poder apresentar sua empresa incipiente a profissionais com grande relevância e experiência e receber deles feedback (ou, como se brincou muito durante o evento, “consultoria grátis”) já é razão mais do que suficiente para querer participar!

Entramos com duas start-ups, a Trendzz e a Tatem, ambas derivadas da nossa experiência de vários anos em suas respectivas áreas e sob os auspícios da fábrica de inovação Igenesis, a nova iniciativa do Vetta Labs.

Murilo Queiroz (esq) e Cassio Pennachin (dir) em seus stands da Trendzz e Tatem

Murilo Queiroz (esq) e Cassio Pennachin (dir) em seus stands da Trendzz e Tatem

A Trendzz é uma plataforma para monitoramento e análise da web e mídias sociais que “entende português”: por meio de técnicas sofisticadas de processamento de linguagem natural fornecemos mineração de opinião e análise de sentimento com alta precisão (aferida por uma avaliação científica rigorosa), extração inteligente de tópicos, palavras-chave e entidades (tais como pessoas, locais, organizações) e outras formas de análise de notícias e comentários. A Trendzz oferece uma aplicação corporativa com interface web e também a assinatura de uma interface de programação (API) que permite que sua tecnologia seja utilizada por outros sites e aplicações.

Já a Tatem é o nosso conjunto de soluções para o mercado financeiro, especificamente para a administração de carteiras e fundos de investimento, tanto nacionais quanto off-shore. Os produtos da Tatem surgiram de uma parceria estratégica com a Gávea Investimentos, gestora de um dos maiores fundos de investimento do Brasil, e compõem uma plataforma integrada que cobre vários aspectos da gestão das carteiras, incluindo risco, compliance e inteligência.

Tatem e Trendzz ganharam o primeiro e segundo lugares de suas respectivas bancas (houve duas) na eliminatória regional em Belo Horizonte. Também foram para a final nossos grandes amigos do Anuncie Lá, que oferecem uma plataforma de anúncios para redes sociais como Orkut e Facebook – você anuncia para seus amigos e conhecidos.

Paulo Moura Jr. no stand da Anuncie Lá

Paulo Moura Jr. em seu stand da Anuncie Lá

Aliás, a qualidade das start-ups mineiras foi muito comentada durante o Desafio – diversas pessoas incluindo jornalistas e investidores me perguntaram a respeito dessa “efervescência” que viam em Minas Gerais. Respondi mencionando, dentre outros fatores, o excelente trabalho da Aceleradora, uma iniciativa para preencher o gap que existe entre o “paradigma tecnológico” dos empreendedores e o “paradigma financista” dos investidores: uma empresa não é feita apenas com tecnologia, e sem um business plan coerente não há como uma idéia inovadora sair do lugar. Muitos participantes do Desafio disseram, tanto para mim quanto para as suas bancas, que a maior dificuldade deles é administração, marketing e vendas, não tecnologia, e o trabalho da Aceleradora já ajudou muitas start-ups mineiras a se aprimorarem nesses aspectos.

Os dois dias do evento começaram com o demo pit, uma feira aberta ao público onde cada empresa demonstrava seus produtos aos visitantes, investidores e avaliadores. O demo pit também servia para as start-ups conhecerem umas às outras, e a troca de idéias, contatos e conversas informais sobre interesses em comum deram um clima descontraído e muito empolgante para o Desafio – mais do que apenas networking posso dizer que fiz algumas boas amizades por lá!

Cassio Pennachin (dir), da Tatem, visitando a Ningo, uma solução para pesquisar, comparar e comprar produtos de diferentes lojas.

Cassio Pennachin (dir), da Tatem, visitando a Ningo, uma solução para pesquisar, comparar e comprar produtos de diferentes lojas.

Na parte da tarde ocorriam as avaliações, com apresentações de 12 minutos seguidas por uma sessão de perguntas e respostas de quinze minutos para a banca de avaliadores, composta por investidores e profissionais experientes. Fiquei positivamente impressionado com a qualidade de várias apresentações, que incluíam a de empresas que não eram da área de tecnologia de informação, como a startup de biotecnologia ProBio (que desenvolveu um gel para remineralização óssea capaz de simplificar muito os implantes dentários, dentre outras aplicações). Eu estava preocupado com a minha apresentação – fico bem mais à vontade falando de tecnologia do que de business – mas consegui dar um bom ritmo e fui bastante elogiado.

Ao final do primeiro dia foram anunciados os 8 finalistas que iriam reapresentar no dia seguinte, dessa vez em inglês e para uma outra banca de avaliação. A Tatem foi uma das aprovadas para a final, mas a Trendzz ficou de fora, por uma boa razão: as duas empresas da sua banca que foram aprovadas terminaram em primeiro e segundo lugares do Desafio, colocação aliás merecidíssima.

Na apresentação em inglês dos 8 finalistas achei particularmente interessante como foram aprovados tanto empresas muito maduras, com planos de negócio bem-definidos e propriedade intelectual consolidada, e também start-ups com produtos promissores mas em estágios mais iniciais (como por exemplo os estudantes baianos da Tesla, que apresentaram uma impressora braille de baixo custo). Essa diferença no nível de maturidade das start-ups se refletia também na qualidade das apresentações; infelizmente o baixo domínio do inglês, aliado à fatores como ansiedade, prejudicou muito pelo menos um candidato. Em contraste, algumas apresentações, como a do quarto lugar Pligus e a da Tatem (feita pelo Cassio Pennachin, do Vetta Labs / IGenesis), chamaram a atenção pela fluência e desenvoltura.

Durante todo o Desafio todos os organizadores faziam questão de ressaltar que o resultado da competição propriamente dita não deveria ser encarado com muita rigidez: mencionou-se várias vezes que muitas empresas que participaram do Desafio nos anos anteriores receberam investimentos mesmo não tendo vencido a competição (como por exemplo os participantes de 2009 Navegg e Descomplica), e que a exposição e a expansão do networking eram tão ou mais importantes que a colocação em si. Ainda assim, competição é competição, e no final do evento todos estavam ansiosos pela divulgação dos vencedores, que foram:

Motofog, dos vencedores da Fumajet, em funcionamento

Motofog, da vencedora Fumajet, em funcionamento

  1. Fumajet, com o Motofog, um produto que se tornou a sensação do evento. Após assistir à apresentação (estavam na minha banca, no primeiro dia) eu fiquei tão impressionado que fui conversar com o time e dizer que tinha certeza de que o primeiro lugar era deles! Eles desenvolveram um kit para instalação em motos de 125 cilindradas (dessas comuns que se vê em todo lugar) que substitui o escapamento da moto por um sistema computadorizado para termonebulização de produtos para o combate aos mosquitos que transmitem doenças como a dengue e a malária. A moto se transforma numa alternativa de baixíssimo custo para o combate a essas doenças, capaz de circular em locais onde não é possível chegar com a caminhonete normalmente usada para esse fim (o chamado “carro fumacê”), e com um alcance e segurança muito maiores que o de um aplicador a pé. Além disso a moto pode ser utilizada sem modificações para a aplicação de defensivos agrícolas, tendo como foco os microagricultores.
  2. Vorsprung, com uma interessantíssima solução para a coleta e reutilização de água de chuva, que inclui uma CPU capaz de avaliar em tempo real a qualidade da água coletada e descartar a água contaminada por poluição e outras impurezas do início da chuva. Isso faz com que seja muito mais fácil o tratamento e o reuso da água limpa coletada após essa primeira descarga, trazendo uma grande economia especialmente para instalações industriais.  Fiquei muito feliz com a vitória dos extremamente simpáticos Pablo Garcia e Ricardo Joaquim, com quem passei várias horas conversando de diversos assuntos, indo de preparação de dragsters a videogames para auxiliar a reabilitação com fisioterapia!
  3. Taw Itech, que desenvolveu uma “lousa digital” para escolas e universidades, que se destaca pelo grande porte e inovações em usabilidade, e cujo principal componente é uma caneta eletrônica desenvolvida pela empresa. Um dos comentários dos avaliadores foi que a ausência de um vídeo demonstrando o uso da lousa na prática dificultou a compreensão do funcionamento, vantagens e inovações do produto, observação com a qual tenho que concordar.
  4. Pligus, um produto para videoconferência e colaboração on-line, já usado por diversas empresas, escolas e pessoas do mundo todo. A Pligus foi a única empresa voltada para a Internet dentre as quatro que seguem para a próxima etapa do Desafio, e me chamou a atenção pela apresentação fluida e pelo fato de tudo ter sido por um único desenvolvedor, Gustavo Scanferla, aluno de comunicação e marketing e que partiu de uma idéia que teve aos 17 anos.

A nossa Tatem, de que já falei antes, ficou em um excelente quinto lugar, e já se prepara para uma nova fase com a entrada de dois novos sócios, executivos experientes atuando no mercado financeiro.

A participação da Trendzz resultou em várias manifestações de interesse de executivos da área de marketing digital e de um investidor anjo, e elogios suficientes para me deixar empolgadíssimo com o empreendedorismo e a inovação no Brasil.

A todos que participaram do evento e da sua organização, em especial aos organizadores Rafael Matioli e Márcio Filho, da FGV, ao Yuri Gitahy e Jacques Chicourel, mentores da Aceleradora, e Diego Gomes, do ReadWriteWeb Brasil meus sinceros agradecimentos e meus parabéns!

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Aplicações de impressão tridimensional

Ano passado eu escrevi sobre impressoras tridimensionais, ou fabbers. Estas máquinas, capazes de criar objetos tridimensionais de diversos materiais a partir de projetos computadorizados, estão se tornando cada vez mais populares e já foram assunto até de uma breve história do Cory Doctorow, Print Crime (em inglês). Naquele post falei principalmente de equipamentos para impressão, e agora vou falar de algumas das aplicações mais bacanas dessa tecnologia.

A Shapeways é um marketplace que oferece impressão 3D sob demanda. Eles possuem uma galeria de objetos que você pode imprimir, com a possibilidade de personalizar o projeto em alguns casos. Os modelos disponíveis incluem brinquedos, jóias, esculturas, maquetes e muitos outros, como o cubo de Rubik abaixo. Você pode também criar seu próprio projeto 3D, e eles oferecem ferramentas para facilitar a modelagem. E você pode criar sua própria loja dentro do ambiente deles, vendendo seus projetos.

Cubo de Rubik da Shapeways

Cubo de Rubik da Shapeways

Outra aplicação útil é a fabricação sob demanda de peças de reposição para equipamentos que já não são mais fabricados. O comediante e apresentador de TV Jay Leno, por exemplo, tem uma coleção enorme de carros antigos, alguns com mais de um século de idade. Ele tem a própria oficina para manutenção da coleção e, quando precisa trocar uma peça de um carro muito antigo, como esse carro a vapor de 1907, ele usa um scanner 3D e uma impressora de metal para gerar a nova peça, com dimensões perfeitas.

Mas a aplicação até agora mais revolucionária é para medicina. A Organovo, uma startup de San Diego, California, criou uma bioimpressora para medicina regenerativa. A bioimpressora, que está sendo implantada em laboratórios de pesquisa em medicina regenerativa ao redor do mundo, já é capaz de produzir tecidos simples, como pele, músculos e pequenos vasos sanguíneos. Os planos dos cientistas da empresa são de, em menos de dez anos, produzir vasos sanguíneos para tratamento de infarto, eliminando a necessidade de pontes de safena. Com mais pesquisa, será possível contruir estruturas mais complexas e, talvez algum dia, órgãos artificiais.

Um kit Makerbot

Um kit Makerbot

E para quem quer brincar com essas impressoras como hobby, a Makerbot vende kits de impressoras, assim como os suprimentos para impressão. Os kits custam a partir de US$750,00, e são bem feiosos, mas a qualidade da impressão é razoável. Embora os resultados não se aproximem do que é possível com impressoras industriais, essas custam cem vezes mais…

Eu quero um brinquedo desses no dia das crianças ;-). O que você faria com um?

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Crise, tecnologia e inovação

Com a urgente necessidade de corte de custos e redução de despesas, a empresa menos atenta e sem visão a médio/longo prazo tende a reduzir seus invstimentos em inovação. É necessário, porém, estar atento às práticas das maiores e melhores empresas do mercado, como mostra recente estudo da Ernst&Young. Segundo pesquisa da consultoria, dentre as mais assertivas empresas (e o que muitas vezes as diferencia), uma das áreas que menos sofre com redução nos investimentos em épocas de crise é justamente o setor de P&D (15%), só ficando atrás das atividades de Gestão de riscos (19%) e Vendas (16%).

Os executivos e empresários brasileiros precisam ficar atentos à esta questão e valorizar o investimento em inovação mais do que nunca, pois a tendência à commoditização de nossos produtos é uma ameaça real. De acordo com pesquisa da Bain & Company, 70% dos executivos tupiniquins têm em mente esta preocupação, bem acima da média mundial, de 58%; apenas 41% do empresariado brasileiro utiliza ferramentas de Inovação Colaborativa, contra 58% dos norte-americanos, o que é um dado preocupante. Tome-se principalmente como exemplo os asiáticos. Em vários países orientais, o investimento em educação e ciência levou-os de uma situação quase feudal na década de 50 a líderes atualmente em vários projetos de tecnologia e pesquisa de ponta. De acordo com o estudo, “Na região da Ásia-Pacífico, concentra-se o maior número de usuários de ´novidades´…Redução de custos é uma preocupação menos importante na Ásia, onde os produtos são baratos em comparação ao resto do mundo e os executivos são bastante focados em inovação”.

Diante destes dados, é preciso que a gestão das empresas no Brasil esteja baseada em novos modelos de cooperação e inovação, nunca perdendo de vista que as empresas com maior sucesso a longo prazo são aquelas que não abrem mão de constante investimento e pesquisa em novos produtos e serviços.

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Uma fábrica na sua mesa: impressão 3D open source

Impressoras tridimensionais, também conhecidas com máquinas de prototipagem rápida ou, mais simplesmente, fabbers, são equipamentos para a fabricação de objetos ou peças a partir de um projeto, hoje em dia gerado com o auxílio de um CAD. Você cria, no computador, o modelo 3D do objeto ou peça que quer fabricar, e o fabber “imprime” ele para você.

As primeiras máquinas de prototipagem rápida surgiram na década de 40, e eram fabricantes por subtração, ou seja, eles partiam de um bloco de material e esculpiam a partir desse bloco o objeto desejado, escavando ou polindo pedaços de material. Mais recentemente, foram criados fabricantes por adição, que trabalham com a injeção de pequenas quantidades do material.

Hoje em dia há fabricantes digitais que operam com diversos tipos de material, de papel a ligas de titânio, com custos, capacidade e precisão bem variáveis. É um mercado de mais de US$10 Bi, com aplicações em diversas indústrias e ciências.

O projeto Fab@Home é uma iniciativa para criar especificações open source para um fabber, para uso principalmente por entusiastas e amadores. O objetivo é criar impressoras simples, de custo baixo e que possam lidar com uma gama diversa de materiais. Eles já têm versões totalmente funcionais, capazes de construir objetos a partir de materiais injetáveis, como silicone, barro, ou até mesmo chocolate (!!) com dimensões de até uns 20cm de lado ou altura. A comunidade de “fabricantes em casa” criou também um site onde os designs dos objetos criados com auxílio dos fabbers são compartilhados. Se parecer um hobby bacana, você pode comprar um fabber montado, ou o kit com as peças e instruções aqui ou aqui. O preço ainda é um bocado salgado, afinal o projeto é open source mas o material ainda custa dinheiro…

No Brasil, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, utiliza fabbers (inclusive o Fab@Home) em alguns projetos. Uma aplicação muito bacana é a prototipagem rápida na medicina, através da qual protótipos são utilizados no planejamento de cirurgias complexas, mas não-urgentes. A prototipagem rápida também pode ser usada para confeccionar implantes personalizados, no formato exato de cada paciente, para casos de reconstrução óssea.

NexusOutro uso bacana para fabbers é artístico: esculturas digitais, modeladas em CADs e “impressas” no material que o artista escolher. Bathsheba Grossman é um escultor digital que usa impressoras 3D de metal (ou gravadores de laser) para produzir sua arte. Ele usa a precisão dos CADS e impressoras para criar peças de uma precisão e detalhamento dificilmente alcançáveis por escultores “tradicionais”. O processo de impressão também permite que as peças sejam moldadas de forma quase impossível manualmente.

E alguns mais malucos um pouco resolveram criar uma impressora 3D capaz de imprimir as próprias peças: um fabber quase auto-replicante é o objetivo do projeto RepRap, também open source. O RepRap é um fabber atualmente capaz de produzir 60% das peças necessárias para montá-lo. As outras peças são baratas e fáceis de achar, segundo a equipe. Parece que se você pagar uma caixa de cerveja pros caras, eles fabricam o kit sob demanda, ou você pode comprá-lo da Unimatic.

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Vetta Labs no SBGames 2008

O Vetta Labs é um dos patrocinadores do SBGames 2008, que acontece esta semana, de segunda a quarta, no campus da PUC-MG do Coração Eucarístico, em Belo Horizonte.

Em particular, uma frase bacana no release oficial do evento

O SBGames 2008 conta com o patrocínio da Microsoft, Sony, Vetta Labs, Google e Globo.com e com o apoio do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Fapemig – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais.

Muito legal dividir um parágrafo com esses nomes aí. ;-)

Além de ter um stand no evento onde as pessoas poderão ver os vídeos de demonstração do Petaverse, os participantes do evento poderão também assistir a diversas e ótimas palestras, desde a do Dr. Ben Goertzel, da Novamente LLC (amanhã, terça, 16:10) até palestras sobre Storytelling com Ido Iurgel (Universidade do Minho, Portugal), uso de jogos na educação com John Nordlinger (Microsoft Research), entre diversos outros.

A programação detalhada do evento você consegue aqui.

Ah sim, e sobre o petaverse, temos mais um vídeo de demonstração no youtube (abaixo) e em alta resolução na dreambroker. O Fido fica cada dia mais esperto ;-)

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Software livre no seu carro: “Veneno” open source

Não preciso nem dizer que o Brasil tem tradição em automobilismo – nem que for pra lembrar das incontáveis manhãs de domingo com Fórmula 1. O que acho mais interessante é que nosso tesão por motorsports independe de suporte formal: apesar de alguns esforços heróicos não temos grandes equipes em categorias de ponta.

Mas isso nunca é problema quando se tem alguma criatividade. O extremo mais precário é um dos meus exemplos preferidos: são comuns em cidadezinhas do interior os “jericos” – carros inteiros construídos a partir de sucata, usando motores estacionários (feitos para serrarias, máquinas agrícolas pequenas, etc.). Daí para competições rústicas envolvendo esses carros, jipes e fuscas é um passo.

(Foto: Marco Antonio Teixeira)

(Foto: Marco Antônio Teixeira)

Algumas soluções técnicas pouco convencionais (gambiarras mesmo) fizeram história no automobilismo brasileiro. Em 1969, os jovens Emerson e Wilson Fittipaldi disputaram os Mil Quilômetros da Guanabara ao lado de lendas como Ford GT40 e Alfa P33, a bordo de um Fusca de 400 cavalos, vindos de dois motores acoplados por uma junta elástica de borracha!

(Foto: obvio.ind.br)

Nos anos 1970 e 1980, qualquer um que pensasse em esportivo no Brasil tinha que falar do Opala, e necessariamente do “veneno” – modificações no motor como troca de carburador, bicos injetores e comando de válvulas para deixar o motor seis cilindros do que hoje é um dos maiores clássicos brasileiros ainda mais bravo e, obviamente, divertido.

Opalão SS 9 Silver Star

(Foto: Opala Club de Bragança Paulista)

A chegada da injeção eletrônica ao Brasil com o Gol GTI, em 1989, foi o início de uma grande mudança: agora um programa de computador, sensores e atuadores eletrônicos passariam a ditar o comportamento (e o consumo) do motor, e a era do veneno clássico, dos carburadores Quadrijet e de tantos outros truques começava a terminar.

Só que a história não acaba aqui! No início dos 1990 tomava força também, no mundo todo, uma outra revolução: a do software livre e aberto. Programadores de computador, cientistas da computação, hobbyistas e entusiastas chegavam à conclusão de que o código-fonte dos programas não devia ser trancafiado a sete chaves numa catedral, mas sim compartilhado e melhorado de forma cooperativa e distribuída.

Essa cooperação e o livre fluxo de informação levava ao desenvolvimento de programas e sistemas mais robustos, seguros e eficientes. E o que isso tem a ver com carros esportivos ? A resposta é simples: já que o software domina o seu carro, domine o software e você vai conseguir um “veneno” que de virtual não tem nada!

Provavelmente o exemplo mais famoso disso é a MegaSquirt, um sistema completo de injeção eletrônica, com todos os sensores e um microprocessador de 8 ou 16 bits que controla os bicos injetores e ignição das velas, baseado em software livre. A Mega Squirt é comprada pelo correio, aos pouquinhos, montada nos mais diferentes tipos de carros, e configurada de diversas formas conforme os objetivos da preparação, na melhor tradição DIY (Do It Yourself, “faça você mesmo”):

Componentes da MegaSquirt

(Foto: Marcelo Garcia)

Para “conversar” com a MegaSquirt e fornecer uma interface para o piloto / mecânico / programador / usuário, usa-se um outro software livre, o MegaTunix, originalmente desenvolvido para o Linux e hoje disponível em diversos sistemas operacionais, incluindo o Windows.

Uma das funções mais divertidas do MegaTunix é emular os caríssimos “relógios autometer” (mostradores incluindo conta-giros, termômetros, razão ar/combustível, etc.): tudo é mostrado no monitor de um notebook ou palmtop, e o usuário pode definir exatamente qual o visual ele quer.

MegaTunix / MegaSquirt

MegaTunix rodando em notebook conectado à MegaSquirt

(Foto: Marcelo Garcia)

E é a flexibilidade do código aberto que permite que sistemas assim sejam tão interessantes. O Marcelo Garcia, que forneceu fotos e consultoria para esse artigo, dá um exemplo da liberdade a que se tem acesso: ele conta que é possível, usando bastante engenhosidade, um fogão, multímetro e outros truques, atualizar o firmware da MegaSquirt para que ela usasse sensores de temperatura de qualquer carro em qualquer motor. Uma mão na roda para quem tem carros antigos (dos quais não se encontram mais peças originais) ou exóticos (cujas peças custam uma fortuna).

Calibrando sensores de temperatura no fogão

Calibrando sensores de temperatura no fogão

(Foto: Marcelo Garcia)

É claro que há limites para o que é possível fazer com software; nem o hacker mais brilhante do mundo vai fazer seu Uninho 1.0 rodar 25 km/l ou andar junto com o Opalão seis cilindros do seu tio. Mas saber que o “veneno” feito-em-casa ainda existe apesar de todas as inovações tecnológicas das últimas décadas é muito, muito bacana – e dá um outro sentido à expressão computador de bordo!

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Editores de jornal artificiais?

O Yahoo está utilizando inteligência artificial para selecionar notícias para sua página principal. Um grupo de notícias é selecionado manualmente à moda antiga: por editores de carne e osso. A partir daí, um sistema desenvolvido internamente decide quais notícias serão realmente exibidas, por quanto tempo, e com que grau de destaque. O sistema monitora, em tempo real, a “click through rate”, ou a fração de usuários que clicam na notícia para ler o texto completo.

Como cada texto completo vem com ads, aumentar a fração de cliques tem um impacto direto no faturamento. Os cientistas dizem que o novos sistema aumentou a “click through rate” em 30%.

Um aspecto interessante é que eles tentaram metodos mais sofisticados, como analisar informação semântica sobre o conteúdo de um artigo e personalizar a pagina para cada usuário, mas esses métodos nao apresentaram o mesmo impacto na “click through rate”. A técnica em uso atualmente, aparentemente baseada em um filtro de Kalman, é simples e tem a vantagem de ser facilmente ajustada em tempo real. Esse tipo de ajuste permite que notícias surpreendentemente populares sejam mantidas em evidência por mais tempo, e tambem que o sistema se recupere rapidamente quando faz uma sugestão ruim.

Nao é um computador que pensa, mas é uma aplicaçãoo muito prática (e, ao que tudo indica, lucrativa) de métodos simples. É sempre bom ver pesquisa com esse tipo de foco pé no chão.

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Nossos cãezinhos virtuais na Virtual Worlds Expo 2008

Já que estamos falando de conferências, semana passada rolou a Virtual Worlds Expo em Los Angeles. Mais de 1300 visitantes e expositores, e a Novamente estava lá, com um stand, mostrando os cãezinhos virtuais que estamos desenvolvendo por aqui.

Nós gravamos alguns vídeos de demonstração dos cachorros. Quatro vídeos estão disponíveis para quem quiser ver:

Desculpem as animações e arte ainda meio toscas, mas até agora o foco do trabalho tem sido mesmo na inteligência dos bichinhos. Nos próximos meses vamos trabalhar também na robustez do sistema e da interface, e vamos postando mais vídeos quando tivermos novidades interessantes!

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TechCrunch 50!

Está rolando em San Francisco a TechCrunch 50, uma grande conferência onde startups se apresentam para a imprensa, investidores, empreendedores e outros formadores de opinião do Vale do Silício. É provavelmente o maior evento dedicado ao lançamento de novos produtos, sites e empresas inovadoras do mundo. As empresas selecionadas (52 de um total de mais de 1000 inscrições) têm que manter seus produtos em segredo até a conferência.

Como a conferência já começou, podemos anunciar que um dos produtos lançados foi desenvolvido todinho aqui no Labs, e está em beta atualmente. O StockMood.com é uma ferramenta para auxílio a pequenos investidores na bolsa dos EUA. O sistema usa processamento de linguagem natural e inteligência artificial para determinar o “tom” (positivo ou negativo) de artigos que saem na imprensa sobre uma empresa.

Correlacionando o tom dos artigos com o movimento do preço da ação ao longo do tempo, ele tenta quantificar o “humor” da ação, e gera alertas quando o humor e o tom dos artigos do dia chegam a valores muito altos ou muito baixos. Esses alertas indicam uma possível reversão dos preços. O sistema de classificação do tom de artigos está longe de ser perfeito, mas os usuários podem corrigir os erros do sistema pelo site, gerando alertas melhores e permitindo que o próprio classificador aprenda com os erros.

Brett Markinson presenting StockMood.com

A foto acima (by Andrew Mager) é do Brett, CEO da nova startup, durante a apresentação. A recepção ao StockMood.com foi geralmente bem positiva, como nesse artigo da Fortune. embora o modelo de negócios da empresa ainda esteja sendo refinado. O beta será limitado, por enquanto, a 1000 usuários cadastrados, então se você achou a idéia interessante e não tem medo do inglês, cadastre-se!

E, finalmente, parabéns a toda a equipe do StockMood.com, especialmente ao Fabrício Aguiar e ao Gustavo Gama, que vocês conhecem um pouco de posts aqui no blog.

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Onde call-centers jamais estiveram…

A ídeia para esse post surgiu de um trecho do livro O Mundo é Plano, escrito por Thomas L. Friedman. O livro eu ainda não terminei de ler mas, além da leitura agradável, já me forneceu este post. A ele então.

Lanchonetes drive-thru ainda são raras no Brasil, encontradas quase que unicamente em capitais e e possivelmente em grandes cidades do interior paulista, mas já estão no imaginário popular graças aos filmes adolescentes da Sessão da Tarde. Dai que veio minha surpresa ao ler sobre Shannon Davis, e suas franquias drive-thru do Mc Donald’s.

Localizadas no estado do Missouri (EUA), o atendimento dos clientes nestas lojas é realizado por funcionários que se encontram em um call-center no estado do Colorado a mais de 1400 quilômetros de distância. O pessoal da cozinha, por motivos óbvios, ainda trabalha no local ;-) .

O sistema utilizado permite aos atendentes conversarem com os clientes em outro estado, tirarem uma foto digital destes, apresentarem o pedido para conferência e depois enviar o pedido, com a foto do cliente, para o pessoal da cozinha. Um detalhe interessante de segurança, as fotos são apagadas assim que os pedidos são entregues.

Resultado da inovação: menores custos, atendimento mais rápido e e com menos erros, ou seja, ganho para o dono do estabelecimento e para os consumidores. Além disso, este é o primeiro uso inteligente de um call-center que eu tenho notícia. Ou será que tem alguém que fica feliz ao ter que utilizar estes serviços da maneira que são comumente utilizados no Brasil?

Outras pequenas historias de inovacões e usos de tecnologia são apresentadas no livro e pretendo selecionar mais algumas para apresentá-las aqui. Até a próxima então.

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