A Crise Financeira e a IA

post hiper-rápido, só para contar que nosso sócio-presidente Cassio Pennachin participou de uma discussão na The Huffington Post com vários especialistas nas áreas de Economia, Ciência da Informação e Inteligência Artificial sobre o papel das máquinas na recente crise financeira mundial.

vale a pena conferir.

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Distribuindo conteúdo digital

É muito interessante como o meio digital revolucionou algumas formas de distribuição. O que é ótimo, porque felizmente nos afastamos cada vez mais daquela época em que recebíamos CDs promocionais de, bem, um monte de gente incluindo a AOL…

Também é curioso que nos primórdios da Web, muitos advogavam que a distribuição pela web iria baixar os preços, afinal, se as pessoas sabiam que pela web era mais barato para o produtor, quem iria aceitar pagar a mesma coisa baixando pela web?

Bem, a história mostrou que a percepção de valor do cliente (me perdoem o marketerismo) falou mais forte e, efetivamente, a diferença entre o que se compra na web e o que se compra fora dela, fora o fator concorrência, não é tão grande assim.

Eu me lembro do Murilo me contando que alguns fabricantes de jogos estavam usando torrent para distribuir os jogos. Afinal, quem realmente quer aquela caixa bonita do joguinho se vc pode ter da noite pro dia tudo o que interessa de verdade no conforto do seu lar? As pessoas irão pagar de bom grado pela conveniência.

Mas o que me chamou a atenção foi um anúncio de empresas que vendem filmes em pendrives, como a argos. Os caras estão vendendo o filme dos caça fantasmas num pendrive de 2 GB a US$ 50. Isso, claro, porque o preço das memórias flash despencou de tal forma que isso se tornou uma alternativa viável. O pendrive em si não deve estar custando mais que uns US$ 10, prá quem compra do fabricante em grandes quantidades… (na verdade, é provável que seja 1/10 disso)

E se você não der bola pro filme (embora as piadas continuem boas até hoje), vc pode simplesmente apagar o pendrive e usar para suas coisas.

Aí fica a nossa pergunta na cabeça. “Mas o cara não consegue baixar isso de graça na web?”. Bem, sim, mas enquanto a armazenagem de dados fica rapidamente mais barata, o que dizer da banda de web? Economicamente falando, a tendência é que os preços da banda de web não caiam na mesma velocidade, para não dizer que estes preços na verdade devem subir para o heavy users.

Faz o google, portanto, muito bem em investir na sua própria infra-estrutura de rede mundial. E só Deus sabe quanta banda o Youtube consome na web.

Então, talvez, vender o filme no pendrive não seja uma idéia tão ingênua assim.

Afinal, alguém tem que pagar a conta da web 2.0. Um doce prá quem adivinhar quem vai ser. ;-)

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Se o preço da goiaba subir, a bolsa vai…

Esse é um post sobre um interessante artigo que saiu na Science mês passado.

O jogo do ultimato, foi criado por estudiosos de economia e de teoria dos jogos. Nesse jogo, uma banca oferece uma quantia fixa de dinheiro a dois jogadores. O primeiro jogador recebe todo o dinheiro e faz uma proposta de divisão do dinheiro para o segundo jogador, oferecendo uma parcela do dinheiro. O segundo jogador tem a chance de avaliar a proposta. Se achá-la boa pode aceitá-la e o dinheiro é dividido como proposto pelo primeiro jogador. Mas se o segundo jogador achar a proposta muito baixa, pode recusá-la. Se isso ocorrer, então nenhum dos dois leva nada.

A ação mais racional nesse jogo seria a de aceitar sempre a proposta do primeiro jogador, não importando qual ela fosse. Porém, na prática, seres humanos tendem a querer punir os jogadores que oferecem propostas injustas, rejeitando-as.

A serotonina (5H-T) é um neurotransmissor conhecido por regular o humor. Ela é alvo de vários anti-depressivos que ajem inibindo sua recaptação nas sinapses (o PROZAC é um deles). O efeito dessas drogas é o de manter a serotonina ligada por mais tempo em seus receptores, compensando uma teórica diminuição de seus níveis no cérebro (principalmente em casos de depressão).

Um dos precursores da serotonina no organismo é o aminoácido triptofano. Se houver uma falta aguda de triptofano no organismo, então a via metabolica de produção de serotonina é desligada.

O artigo que citei no ínicio do post, trata de um estudo onde pessoas passaram por uma depleção aguda de triptofano em suas dietas e então foram submetidas ao jogo do Ultimato. Os resultados foram comparados com o de pessoas com dietas com níveis normais de triptofano E o resultado foi então meio surpreendente: essas pessoas passaram a rejeitar com maior frequência propostas menos justas do que pessoas com dietas normais. Estariam então o humor e o senso de fair-play ligados? ;-)

Mas o que eu mais gostei foi como uma manipulação da bioquímica do cérebro humano pôde alterar o comportamento e influenciar diretamente na tomada de decisões de pessoas.

E o que o título do post a ver com tudo isso? Bom, na verdade o título é uma situação hipotética (e meio exagerada) que eu imaginei: é sabido que a goiaba é uma fruta que possui níveis altos de triptofano. Imaginem agora se o preço da goiaba sobe muito e pessoas que compram e vendem ações na bolsa de valores param de comer goiaba. A bolsa vai cair? Subir? A resposta eu deixo para os especuladores :-)

Biologia, Economia, Teoria dos Jogos 0 Comentários

Economia experimental

Uma notícia mais-ou-menos recente me chamou a atenção. Era sobre como algumas empresas grandes de tecnologia estavam mantendo laboratórios de economia experimental, uma área recente do estudo da economia (formalizada em 87) que ganhou uma certa visibilidade quando Vernon Smith ganhou o Nobel da Economia em 2002

A notícia fala especificamente do laboratório da HP que faz simulações de modelos econômicos e incentivos que beneficiem a HP em relação à sua cadeia produtiva, tanto na ponta dos fornecedores de componentes quanto na ponta dos distribuidores.

E não só a HP está contratando economistas para isso, mas também as grandes como o Google, o Yahoo e, claro a Ebay, que inclusive conseguiu desenvolver um aprimoramento no sistema de vendas que aumentou o volume em 25%, um desempenho nada desprezível.

A inovação (aquela que dá resultados) vem de várias formas ;-)

Economia, Inovação 0 Comentários

Inovação e Meio Ambiente

Hoje é dia do meio ambiente. Um assunto bastante oportuno, dada a grande preocupação atual com o meio ambiente, uma variável até então, ignorada nas teorias econômicas, que sempre assumiam que recursos naturais eram praticamente infinitos, tirando um Mathusiano ou outro.

Grande parte da inovação tecnológica hoje em dia que tem ganhado visibilidade são as relacionadas com a preocupação ambiental. De fato, alguns blogs falam disto melhor do que eu poderia, diariamente, como o EcoGeek, o Envirovore e o Inhabitat. Fico inclusive muito feliz em ver que cada vez menos pessoas que defendem o meio ambiente sejam considerados “eco-chatos” e cada vez mais surjam alternativas inteligentes e discussões de mais alto nível sobre o assunto.

Questões como a água potável, a energia renovável (que se tornou especialmente estratégica para os EUA depois dos atentados em 2001) e outras questões éticas (é sempre bom trazer a discussão da ética à tona) são saudáveis e importantes, e muito das esperanças por soluções são depositadas na capacidade humana de inovar tecnologicamente (fácil) e na vontade política ou movimentos econômicos de que estas inovações sejam efetivamente usadas em tempo hábil (difícil).

Só no tema meio ambiente e inovação, tem assunto para uns 20 blogs deste :-) então vou apenas pingar alguns links bacanas a respeito, para que os interessados se aprofundem um pouco mais.

  • Em Maio deste ano, uma garotada brasileira fez bonito e desenvolveu uma forma de transformar baterias, um tipo de lixo complicado de se reaproveitar, em pigmentos para cerâmica. Não me lembro de ter lido sobre isto na imprensa nacional, infelizmente.
  • Também no mês de Maio, o blog Incubadora de Idéias deu o toque para este ótimo vídeo de 6 minutos que conta a história de um cara de 20 anos do Malawi que fez um moinho que mudou a vida não só do seu vilarejo, usando apenas sua genialidade e garra, mas também de um monte de gente que se inspirou no talento deste moço. Um vídeo curto, comovente e emocionante que eu recomendo MUITO.
  • Eu ainda quero comprar o livro Ecoeconomia do Hugo Penteado, economista chefe do ABN-AMRO Asset Management, depois que eu vi uma entrevista dele no programa da Marília Gabriela, mas até lá, podemos baixar de graça o livro Eco-Economia do Lester Brown, que também me parece muito bom.

No dia do Meio Ambiente, não abrace uma árvore. Abrace uma causa.

Biologia, Economia, Inovação 0 Comentários

Marketing científico

Já faz alguns anos, o Drucker já alertava para a interdisciplinaridade iminente.

Aí está o Kenji aqui pesquisando um pouco sobre Marketing Viral (não, eu não quero fazer vídeos engraçados no youtube, embora eu tenha até uma certa experiência com isso…) quando eu caio nos interessantes estudos da Dina Mayzlin, da Yale School of Management, que estuda o marketing WOM (word of mouth), no qual o marketing viral, tão celebrado hoje em dia, se enquadra, graças ao potencial da web de propagação rápida de…. errr… informação ;-) .

Já no primeiro paper, eu caio no estudos da moça sobre Autômatos Celulares, Classificadores de conversas (chat) em fóruns financeiros e economia experimental (como uma alternativa às abordagens econométricas tradicionais).

Eu tenho a impressão que o Omni (chamamos o Lúcio aqui no Labs de Omni por motivos históricos) já trabalhou com classificadores de chat uns anos atrás, nesta mesma linha, de detectar o sentimento em conversas. Depois tenho que bater um papo com ele sobre isso. Provavelmente já deve ter gente fazendo coisa parecida nos twitters da vida.

Classificadores são velhos conhecidos, a Biomind trabalha com classificadores como forma de encontrar possíveis genes relacionados a doenças como câncer desde quase a fundação da empresa.

Autômatos Celulares, (irony on) essa novidade da ciência moderna (irony off), remonta dos estudos de crescimentos em cristais de 1940.

E finalmente, a tal da economia experimental, da qual eu nunca tinha ouvido falar (casa de ferreiro espeto de pau, tenho dois doutores em economia na família, dos bons), parece ter surgido em 90, então imagino que seja terreno fértil para muita pesquisa ainda.

Então talvez haja diversão para gente como eu no Marketing ;-) .

Autômatos, Data Mining, Economia, Inteligência Artificial 0 Comentários