Introdução à Inteligência Artificial Genérica

Andróide IBMDurante a VIII Semana de Informática na PUC Minas São Gabriel, que ocorreu de 04 a 07 de maio deste ano (2010), eu tive prazer de ministrar uma palestra para os alunos sobre um tema bastante polêmico, atual e que fascina muita gente. Intitulada “Introdução à Inteligência Artificial Genérica”, a apresentação, que durou aproximadamente 1:40h, iniciou com uma breve revisão da origem/história da área Inteligência Artificial (IA) e com uma descrição das diversas ramificações que emergiram dentro da disciplina, desde o seu surgimento. Foram ilustrados alguns projetos que deram o pontapé inicial às sub-áreas de pesquisa (ramificações), como planejamento de ações e tomada de decisão, aprendizado de máquina, além de dar uma visão geral sobre o estado-da-arte da IA Genérica. Um dos principais objetivos da IA Genérica é a criação de sistemas computacionais para a resolução de problemas gerais, que exijam inteligência para serem solucionados. Projetos importantes como OpenCog, OpenNars, HTM, entre outros, foram apresentados ao público, que demonstrou bastante interesse, principalmente com a possibilidade de poder contribuir com os projetos livres e de código aberto, como o OpenCog. Mas eu tinha reservado uma surpresa para eles. Uma densa viagem através das idéias, teorias e previsões do inventor e futurista Ray Kurzweil, sobre a evolução tecnológica.

É complicado falar de Inteligência Artificial Genérica atualmente sem mencionar a Singularidade (tecnológica), que é um assunto para vários posts. Mas, de forma geral, podemos entender a Singularidade (tecnológica) como um momento na história da humanidade onde o progresso tecnológico acontecerá de forma tão acelerada, que será impossível prever o impacto desta evolução no mundo. O resultado será máquinas andando sobre a terra com o objetivo de exterminar a humanidade uma mudança permanente e irreversível na forma com que vivemos.

Kurzweil aponta três vertentes tecnológicas que levarão a humanidade à Singularidade: Genética, Nanotecnologia e Robótica (GNR). A Inteligência Artificial é aplicável a todas elas. Dessa forma, foi possível traçar um paralelo entre IA e cada uma delas, exemplificando com alguns trabalhos.

Exponencial vs Linear

Kurtzweil também fez diversas diversas previsões sobre o futuro da tecnologia, inclusive que a Singularidade ocorrerá por volta de 2044. É importante dizer que tais previsões são fundamentadas em um detalhado estudo, por ele realizado, sobre a evolução tecnológica. Tal estudo permitiu a definição de um modelo comportamental para o processo evolutivo da tecnologia. Diferentemente do que muitos pensam, o modelo é exponencial e não linear. Então, quando algum cientista afirma que somente teremos uma Inteligência Artificial, semelhante às vistas em filmes e livros de ficção científica, daqui a vários séculos, ele está usando um modelo linear para defender seu ponto de vista e não o proposto por Kurzweil. Assim, baseando-se na premissa de que a tecnologia evolui exponencialmente, Kurzweil vêm fazendo previsões desde a década de 1980, sendo que várias já se concretizaram conforme previstas. Por exemplo, a explosão da Internet no início dos anos 90 e a derrota do campeão humano de xadrez para um computador no final da década de 1990 (Kasparov foi derrotado pelo Deep Blue em 1997).

Se tudo ocorrer conforme previsto por Kurzweil, teremos, nas próximas décadas, sistemas computacionais capazes de realizar cópias da nossa mente para um meio digital, computadores emulando o cérebro humano, nano robôs navegando em nossa corrente sanguínea e se comunicando com sistemas computacionais externos para nos dar capacidades sobre-humanas (mais inteligência, mais velocidade, mais resistência, etc.)

Ciborgues já existem! (DARPA)

Cyborgs já existem! (DARPA)

Andróides também (Prof. Ishiguro - Osaka University)

Andróides também (Prof. Ishiguro - Osaka University)

Conforme mencionado anteriormente, foram apresentados ao público alguns projetos de Inteligência Artificial Genérica. Como funcionam, para que servem, suas aplicações, além de outros detalhes. O projeto mais detalhado foi o OpenCog, dado que nós aqui do Labs desenvolvemos diversos módulos que o compõe atualmente. O OpenCog é um framework que tem como objetivo a criação de um sistema computacional pelo menos tão inteligente quanto um humano. Ele reúne uma série de ferramentas para planejamento de ações, raciocínio e tomada de decisão, inferência, aprendizado de máquina, etc. Ele conta também com um módulo para a representação de um agente inteligente que possui um corpo físico e está situado em um ambiente físico qualquer. Alguns vídeos de demonstração do OpenCog em ação podem ser vistos em:

Video 1) Visualização da AtomTable
Video 2) Agente aprendendo
Video 3) Respondendo perguntas
Video 4) Resolução de anáfora

Para finalizar a apresentação, foram lançadas algumas questões acerca de uma provável última criação do homem, a super-inteligência. Esta, pois, seria a última, uma vez que uma super inteligência poderia inventar qualquer coisa e/ou resolver qualquer problema que somente um humano seria capaz de fazê-lo, porém de forma mais eficiente. A criação de uma segunda, terceira,.., enésima geração de super-inteligências ficaria a cargo das super-inteligências, dado que o homem “original” e obsoleto não teria capacidade de realizar tal atividade. Uso o termo “original” para denominar o homem sem modificações, ou seja, sem implantes cibernéticos, sem nano robôs e outros recursos que venham torná-lo sobre-humano. No final das contas, a utilização da tecnologia para acelerar o lento processo evolutivo biológico não é novidade, mas será cada vez mais perceptível nas próximas décadas.

Os slides da apresentação podem ser visualizados no Slideshare.

Inteligência Artificial 10 Comentários

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 5,00 out of 5)