Algortimos genéticos e o Obama
January 25, 2009 12:07 pm Inovação, Inteligência Artificial, Marketing, UsabilidadeAchei interessantíssima a pesquisa feita pela Affinnova, especializada em aplicar algoritmos genéticos para problemas voltados à área de Marketing.
O que é e o que faz, basicamente a Affinnova? A empresa começou com dois pesquisadores do MIT, que encontraram uma forma de utilizar algoritmos genéticos para selecionar as melhores idéias ou os melhores designs dentre um universo muito grande de possibilidades, com alguma intervenção humana no processo.
Trocando em miúdos, quando, em marketing, numa pesquisa, é necessário avaliar simultaneamente diversas variáveis, digamos, de um design de produto ou de uma campanha política, como a variedade de combinações dessas variáveis pode ser muito grande, o que se faz é agrupar essas variáveis e testá-las juntas em vários “profiles”, e tentar extrair daí quais são as mais importantes, isto é, quais fatores são determinantes na escolha, por exemplo, da melhor embalagem.
Mais em miúdos ainda, num processo de escolha de uma melhor embalagem, por exemplo, um grupo de usuários, pela web, escolhem os “profiles” que mais lhe agradam, e o algoritmo usa essa informação para, em tempo real, selecionar (no sentido darwiniano do termo) os melhores.
Qual a vantagem disso? Bem, pelo menos duas.
A primeira é que, num processo tradicional, a empresa teria que colocar vários designers para pré-analisar as melhores possibilidades, enquanto neste método você pode, computacionalmente, gerar combinatoriamente uma quantidade muito maior de possibilidades (digamos num caso típico, de 4.000 a 40.000) , mas ao mesmo tempo, pode apresentar um número factível de opções para cada entrevistado (digamos, umas 6 ou 10).
Claro que isso não substitui o trabalho de fazer protótipos que as pessoas possam manusear, o que é fundamental neste processo, mas facilita bastante para determinar quais fatores são os que devem ser trabalhados naquela embalagem.
A segunda vantagem, claro, é custo e tempo. Dentro do processo de refinamento do design de um produto, algo que costuma levar, numa única etapa, cerca de 2 meses e custar 175.000 dólares, a Affinnova consegue resultados comparáveis por 60.000 dólares num tempo bem menor.
Claro que, ao mesmo tempo, a técnica da affinova enfrenta o maior inimigo de toda inovação, que é ser diferente do processo anterior, e portanto produzir resultados que nem sempre são comparáveis aos resultados das bases históricas usadas pelas empresas de design de produtos.
Ao mesmo tempo, a Affinnova oferece mais uma técnica para o arsenal das pesquisas de marketing, sem concorrência direta até agora.
Para os curiosos, as técnicas da Affinova são bem descritas em seu pedido de patente
A forma sistemática da Affinnova de buscar novos designs de produtos, ou de selecionar as melhores idéias e conceitos não é nova. Alguns anos atrás, já se advogava técnicas como a RDE (formalizada no livro “vendendo o elefante azul”) para derivar o melhor design de produto por exemplo.
A história da Affinova também não é surpreendente. A empresa começou em 2000, mas só ano passado a empresa começou realmente a dar dinheiro (estima-se que uns 25 milhões de dólares para 2009), isso após a entrada do CEO Waleed Al-Atraqchi em 2005, que conseguiu dar um rumo de “negócios” para a coisa. Segundo as palavras do próprio CEO,
(…) “Eu disse, de certa forma, não vamos confundir geração de idéias com otimização. A maioria dos estudos mostram que as empresas não tem falta de idéias. Quais são as melhores e o que fazer com elas, que são realmente o grande negócio, e este é o problema que queremos solucionar.” (…)
Quem quiser conhecer mais sobre como funciona o design e a análise de resultados dessa interessante abordagem, que concilia um pouco da busca por insights típica das pesquisas “quali” e pela validação estatística das pesquisas “quanti”, pode conferir aqui essa interessante pesquisa da Affinnova (usada para descrever o que eles fazem, que é algo fundamental pro ramo inovador deles) usada para encontrar qual a melhor combinação de plataformas políticas para a campanha presidencial americana:
Eis a


Seu computador (quase) não vale mais nada « De Gustibus Non Est Disputandum :
Date: February 15, 2009 @ 11:43 am
[...] p.s. veja também esta visão muito mais interessante (do que as que vejo geralmente na selva brasileira) de marketing. [...]