A regra de Pareto e as máquinas de busca

10:15 am Ciências cognitivas, Data Mining, Inovação, Inteligência Artificial, Internet, Linguagem Natural, Teoria da Informação, Visão Computacional, Web 2.0

A declaração recente da Marissa Mayer, “Vice President of Search Product and User Experience at Google”, de que o Google já resolveu 90% do problema de busca, mas que os 10% ainda vão dar um bom trabalho, incomodou muita gente na webosfera.

Prá quem não conhece a moça, Marissa é certamente uma das executivas mais importantes da indústria atualmente, e talvez um dos pontos máximos que um profissional de usabilidade almejaria hoje em dia.

O que há por trás dessa declaração? Bem, podemos desfilar vários aspectos interessantes aqui.

Uma delas é que frequentemente, no desenvolvimento de software, fala-se sempre da regra do 80/20 ou a Regra de Pareto, que originalmente falava que 80% das consequências vinham de 20% das causas. Mas claro que a proporção foi ganhando outros usos, como “80% do desenvolvimento leva 20% do tempo e os 20% restantes levam os outros 80% do tempo”.

Em bom e claro Português, “o diabo vive nos detalhes” :-)

De fato, muito da busca na web chegou a um nível de refinamento e desempenho formidáveis, mas o que significa dizer que 80% ou 90% do problema já está resolvido? E é neste pé que os críticos da web resolveram pegar para criticar o argumento da Marissa.

Segundo a techcrunch por exemplo, o que resta das coisas a serem indexadas e buscadas ainda é muito grande. Ainda não temos resultados satisfatórios GENÉRICOS para buscas semânticas, buscas em imagens, buscas em filmes, e muitos et ceteras.

Podemos dizer, certamente, que existe um grande potencial em buscas de imagens, por exemplo, em contextos restritos, e este é um mercado que deve crescer rapida e intensamente nos próximos anos. Mas se você quer buscar pela foto do gato com o cachorro, a menos que vc tenha intervenções humanas de forma inteligente, não se resolveu ainda o problema computacional de definir o que é exatamente um cachorro. Mas se você souber formatos de armas, talvez consiga localizar, com algum bom grau de precisão, armas num recinto por exemplo.

E aí podemos estender para as buscas em linguagem natural e etc, e a conclusão é: ainda tem muito terreno a ser caminhado neste aspecto, e isso significa, em termos de inovação, que há muito o que explorar ainda nesta área. Será que 10% é achar uma agulha numa cena de 1 segundo no youtube?

Enquanto isso, silenciosamente, coisas acontecem no Yahoo.

Ninguém do porte desta moça dá declarações impensadas. Stay tuned.

Update 11/9: 2 dias depois, Marissa escreveu uma declaração, voltando atrás, e concordando basicamente com a opinião das pessoas (eu entre elas) que acham que ainda falta muito chão, inclusive citando nosso bom e velho Pareto ;-)

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