Miniaturizando o Capital de Risco
June 16, 2008 9:59 am InovaçãoHá algum tempo que essa história de “Web 2.0″ tem levado a um renascimento das startups web. Há até quem diga que estamos vivendo uma nova bolha especulativa, repetição daquela dos anos 90. Bobagem. O volume de dinheiro envolvido nessa nova onda de criação de startups é uma fração do volume de 10 anos atrás e ainda não tem ninguém lançando ações em bolsa antes de conquistar o primeiro cliente.
A verdade é que está cada vez mais barato criar uma startup, especialmente se ela for voltada para a web. Todo o software necessário é gratuito. Hospedagem e banda são muito mais baratas que há 10 anos atrás, e com serviços de cloud computing como os Amazon Web Services e o Google App Engine, ninguém precisa mais construir um data center enorme e caríssimo. Você escala na exata medida da sua necessidade e, assume-se, do seu bolso. O custo para levar sua grande idéia que vai revolucionar o mundo para o mercado nunca foi tão baixo. Se você além de ter idéias revolucionárias souber programar, o custo principal é o seu tempo.
Isso é um enorme problema para os venture capitalists, que administram fundos de capital de risco, porque as startups precisam de muito menos investimento que antes. À primeira vista isso pode parecer uma vantagem para os financiadores, mas não é. VCs não escalam “para baixo” facilmente. Eles têm fundos enormes para investir, e uma capacidade limitada de aprovar e monitorar investimentos. Então, para um VC típico, simplesmente não faz sentido investir, digamos, R$100.000,00 em 100 empresas ao invés de investir R$10.000.000,00 em uma única empresa.
VCs continuam operando um um regime de poucos negócios com um montante alto por negócio, mas a indústria de TI não se encaixa mais tão bem nesse modelo. Isso é especialmente crítico no caso de web, que sempre foi onde a maioria dos investimentos e grandes sucessos ocorrem. Alguns fundos simplesmente mudaram de indústria, e estão agora investindo em coisas mais futuristas e que ainda exigem muito dinheiro de pesquisa e desenvolvimento, como nanotecnologia e energia renovável.
Mas algumas pessoas viram nisso uma oportunidade. A Y Combinator, fundada pelo pioneiro de web applications Paul Graham e amigos, é uma firma de investimento bem peculiar. Eles só investem em empresas nascentes (o chamado capital semente). Os investimentos seguem sempre um template. Ao contrário da maioria dos VCs, você não precisa conhecer um amigo do VC para receber investimento. Eles fazem seleções abertas duas vezes por ano e só investem nos melhores projetos submetidos nessas seleções. Os contemplados recebem o suficiente para viver por três meses. E os felizardos são obrigados a se mudarem para a mesma cidade onde os investidores estão (Cambridge, MA no verão Vale do Silício no inverno) durante esses três meses.
A idéia é que a Y Combinator oferece mais que o dinheiro (que não é grande coisa, mas por outro lado não custa muito em termos de participação acionária). Eles oferecem experiência (o Paul Graham vendeu a ViaWeb, sua startup, pro Yahoo por US$50 milhões anos antes da bolha estourar), contatos, séries de palestras com empreendedores famosos, e um dia de demo em que todo mundo apresenta suas idéias para outros investidores que podem, então, financiar a vida das novas empresas depois dos três meses.
Esse modelo diferente, embora novo, já levou a vários casos de sucesso. A Reddit foi adquirida pela Condé Nast, dona da Wired. A Auctomatic foi adquirida por US$5 milhões menos de um ano após seu lançamento. A Zenter foi comprada pelo Google há mais ou menos um ano. A estimativa dos sócios da Y Combinator é que as startups que eles financiam têm uma taxa de sucesso de 50%, o que é impressionante. O típico na indústria de capital de risco é 20%, no máximo 30% para os melhores fundos.
A visibilidade e os resultados obtidos pela Y Combinator inspiraram diversos grupos a criar firmas nos seus moldes na Europa, Canadá e outras partes dos Estados Unidos. São os Y Imitators ;-). Até agora, nenhum chegou a lugar algum. Eu acho difícil reproduzir o que a Y Combinator tem, e agora eles estão criando uma massa crítica de empresas investidas que estão amadurecendo e formando suas redes de contatos, ex-fundadores ricos que podem investir nas próximas gerações de startups, e experiência em como determinar, o mais cedo possível, quais projetos vão vingar.
Uma forma ainda mais peculiar de investimento é a da Prototype Invest. Eles não te dão dinheiro, dão software. Se você se empolgou com a possibilidade de criar uma startup revolucionária sem precisar levantar rios de dinheiro, mas não sabe nada de tecnologia para transformar sua idéia em produto, eles fazem isso pra você em troca de participação acionária. Aí nem o custo de desenvolvimento você tem. Não conheço os caras e não tenho a menor idéia da capacidade (ou seriedade) deles. Mas se funcionar é um redutor de barreira de entrada interessante.
