E o anti-iPhone?
June 13, 2008 8:14 am Desenvolvimento, Inovação, MobileE a Apple anunciou o iPhone 3G, baixou o preço de compra (mas a AT&T, que tem exclusividade nos EUA, aumento o preço dos planos, então no balanço ficou mais caro) e diz que fechou com parceiros em 70 países. A Claro vai vender o iPhone 3G no Brasil até o fim do ano. Ainda não se sabe quanto vai custar, se vem com fidelização obrigatória até a terceira geração e outros detalhes. Mas os viciados em gadgets estão em polvorosa. E tem muita gente de olho nas possibilidades de desenvolver software para o iPhone. Não é à toa. É um aparelho com potencial revolucionário, e já tem até fundo de capital de risco dedicado exclusivamente a financiar empresas que desenvolvam para o iPhone. O nome? iFund, claro…
Há quem diga que até o fim do ano que vem a Apple deve vender 15 milhões de iPhones no mundo todo. Não é pouco, mas é menos de 1.5% do número de telefones celulares vendidos por ano no mundo. Em 2007, foram vendidos 1.15 bilhões de telefones. Pode ser revolucionário com 1.5% de market share? Claro que pode, afinal é um produto high end e que atrai early adopters de tecnologia.
Mas esses números mostram uma outra possibilidade. De acordo com a venerável The Economist, ainda esse ano teremos mais de 3.3 bilhões de usuários de telefonia celular no mundo. Ou seja, mais da metade da população do mundo terá um celular. A expectativa da Portio, uma empresa britânica especializada em pesquisa de mercado celular e wireless, é que a penetração chegue a 75% da população mundial até 2011. Sabe aquela história que até servente de pedreiro tem celular hoje em dia? Pois é, daqui a pouco os serventes de pedreiro da África também vão ter.
Claro que a imensa maioria desses usuários está na chamada “base da pirâmide”. Gente pobre, pobre mesmo, com o aparelho mais barato possível e plano pré-pago. A inclusão dessa numerosíssima base da pirâmide no mercado de consumo é um dos grandes desafios de estratégia corporativa e de marketing desse começo de século, e os celulares mostram algumas idéias interessantes de como isso pode acontecer.
Um exemplo que eu adoro é o M-PESA, desenvolvido pela Vodafone e pela Safaricom, uma operadora no Kênia. É um sistema simples de mobile banking, no qual você transfere dinheiro via SMS. Sistemas de pagamento via celular como o Oi Paggo estão se popularizando no Brasil, e o Banco do Brasil já tem uma iniciativa de mobile banking. Mas o potencial transformador do M-PESA é que ele funciona com quem não tem conta no banco. Com quem é pobre e excluído demais pra isso.
Uma combinação óbvia de mobile banking e base da pirâmide é usar mobile banking para microcrédito. Reduz burocracia, permite uma dispersão maior dos fundos, e tem um mecanismo interessante de incentivo ao pagamento — pode-se deduzir uma fração de cada recarga do plano pré-pago feita pelo devedor. Se ele não pagar o empréstimo, o celular é bloqueado.
Essa é só uma possibilidade. Eu acho que, embora o iPhone seja um produto interessante e com grande potencial para inovação, o pessoal que pensa em criar startups devia olhar também pra base da pirâmide. É um mercado grande demais e, finalmente, os estrategistas corporativos estão inventando maneiras para deixar de ignorá-lo.

Humberto Massa :
Date: June 13, 2008 @ 9:34 am
Sua idéia é excelente, Cássio… só queria fazer um comentário a respeito do iPhone: aparentemente, a Apple tinha uma meta global de 10 milhões de aparelhos vendidos até o final deste ano… e está em cerca de 2.5 milhões — incluindo os 500 mil que não foram para a AT&T/O2/etc [citation needed]; ainda mais com os novos planos e a virtual impossibilidade de obter-se um aparelho sem assinar o contrato primeiro, eu não sei se o prospecto de 15 milhões até o final do ano é realista…
Michael Waisberg :
Date: June 13, 2008 @ 12:57 pm
Oi Cassio,
Quem sabe um dia o celular nao vai ser o gadget supremo? Um aparelho que aglomera multiplas funcoes e permite ao usuario a comunicacao via voz, acesso a internet, pagamento de contas/banking, confirmacao de identidade, ouvir musica, tirar fotos, ligar o carro, abrir a porta de casa, controlar remotamente seus eletrodomesticos, controlar sua agenda. A maior parte das funcoes acima ja sao feitas por celulares ou outros gadgets. So falta os caras das empresas de celular aglomerarem tudo. .
Cassio Pennachin :
Date: June 13, 2008 @ 3:14 pm
Oi Humberto. Concordo com você, a previsão é de 15 milhões de unidades até o fim de 2009 — aí eu já acho bem mais viável, considerando que ele vai ser vendido em 70 países.
Cassio Pennachin :
Date: June 13, 2008 @ 3:17 pm
Oi Michael,
Tem muita gente na indústria que prevê exatamente isso, e é algo que está acontecendo aos poucos. Os PDAs, por exemplo, já praticamente morreram, porque não fazem nada que um smart phone não faça. E o iPhone é um belo MP3 player. Já tem celular com reconhecimento de face para autenticar o dono, o que seria necessário para coisas como automação residencial. Eu acho que o futuro tende nessa direção, com gadgets “generalistas” e versões especializadas para o público mais exigente (câmeras fotográticas mais poderosas, por exemplo).