Nano e Atom: pouco velozes mas ainda assim furiosos

Antigamente era fácil decidir qual era o melhor processador para o seu computador: o melhor era sempre o mais rápido, e para saber isso bastava ver a velocidade do clock (relógio). É claro que um Pentium 100 MHz era mais lento que um Pentium 200 MHz, e ninguém contestava isso.

Na verdade a questão é muitíssimo mais complexa, já que a arquitetura de um processador é muito mais importante para definir seu poder de processamento do que o a freqüência de clock. Ao longo dos anos, técnicas de projeto que nos anos 1970 eram exclusivas de supercomputadores foram incorporadas aos processadores domésticos, tais como uso de pipeline longos, execução fora de ordem e especulativa. São mudanças na arquitetura que fazem com que um processador moderno como um Core 2 Duo, rodando a 1.8 GHz, seja mais rápido que um Pentium IV da geração anterior, com clock de mais de 3 GHz.

Recentemente uma outro critério apareceu para deixar tudo ainda mais complicado: o consumo de energia. Não adianta ter um notebook rapidíssimo se a bateria dele dura apenas uma hora. E o sucesso dos subnotebooks (ou “netbooks” como preferem alguns, notebooks com telas pequenas - 10″ ou menos - e muitas vezes sem disco rígido) como o Apple Macbook Air, Asus EEE PC e o Mobo (da brasileira Positivo) fazem com que o dilema poder de processamento x consumo de energia seja ainda mais importante.

As duas estrelas recém-lançadas nessa cena são os novos processadores x86 (isto é, compatíveis com programas para computadores comuns, capazes de rodar Linux e Windows) de baixíssimo consumo: o Intel Atom e o VIA Nano.

Ambos são quase perfeitos para os subnotebooks, com desempenho mais do que suficiente e pouca necessidade de refrigeração. O interessante é que os dois têm arquiteturas radicalmente diferentes!

O Intel Atom é uma volta às origens; especificamente, uma volta ao velho 486. Para reduzir consumo e complexidade o Atom deixou para trás técnicas como execução fora de ordem, execução especulativa e renomeação de registradores, tornando-o um processador bastante convencional (alguns diriam “antiquado”, mas definitivamente não é o caso). Isso faz com que o desempenho dele não seja tão alto quanto o de um processador moderno com o mesmo clock.

Essa estratégia já tinha sido explorada pela VIA em seus processadores baratinhos antigos (um bom exemplo sendo o C7). A partir das experiências com o C7 a VIA resolveu ir bem além do Intel Atom: o VIA Nano é um processador 64-bit superescalar muito mais sofisticado que o seu concorrente, capaz de realizar reordenação de instruções e previsão de desvios poderosa.

Note que tudo usado no VIA Nano já existe em processadores tradicionais da Intel e da AMD; a decisão de não incluir esses recursos no Atom foi deliberada, e tomada tendo em vista quase que exclusivamente o consumo de energia.

A pergunta que todos estão fazendo, claro, é quem vai ganhar a briga. Será que o aumento do desempenho do Nano vai justificar a provável menor autonomia ? Será que o Intel Atom vai ser rápido o suficiente para as aplicações que o mercado espera ? Recentemente a VIA demonstrou um Nano rodando Crysis, um jogo pesadíssimo feito para PCs convencionais, o que impressionou bastante a audiência. Do lado Intel, a mais nova estrela dos subnotebooks, o MSI Wind, vai ser um dos primeiros já com o Atom, possui tela de 10″ e HDD de 80 GB (ausente no EEE e Macbook Air) e será vendido a partir de 16 de junho por um preço extremamente atraente (US$ 399 a versão com Linux).

Certamente os próximos meses nos reservam algumas surpresas.

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