Que tal biodiesel e alimentos orgânicos?

11:05 am Biologia

Eu sempre gostei de ciência mais aplicada. Por exemplo, voltada pra descoberta de alguma nova droga ou para os efeitos de alguma substância sobre os seres vivos.

Acabo de voltar de um congresso de bioquímica (SBBq), em Águas de Lindóia – SP, e lá deu pra ver um punhado de pôsteres sobre trabalhos científicos bem aplicados. Mas teve um que me chamou a atenção porque tinha uma foto de uma avenida de São Paulo, cheia de carros e bastante poluída, como as fotos abaixo ;-)

Bom o pôster tratava dos efeitos do phenantrene ( um hidrocarboneto poliaromático que é um dos produtos da combustão do diesel) em neutrófilos humanos (células do sistema imunológico). A conclusão era de que a exposição ao phenantrene atuava inibindo a mobilidade e aumentando a mortalidade dessas células – ou seja, imunossupressão.

Uma nota interessante da autora do pôster foi a de que o phenantrene é expelido em grandes quantidades pela combustão do diesel, aparentemente em forma de pó. Ou seja, se moramos em grandes cidades, estaremos incondicionalmente expostos a grandes quantidades dessa substância. Não dá pra saber como seria o efeito do phenantrene se inspirarmos ou se nossa pele ficar coberta por ele, durante longos intervalos de tempo, pois não existem estudos sobre isso. Mas dá pra ter uma idéia do que acontece no sistema imunológico.

E aí eu me lembrei de uma nota técnica publicada recentemente pela Anvisa, sobre a quantidade de agrotóxicos proibidos para uso em alimentos no Brasil. A tabela é de dar medo, porque diz que 44% dos tomates e 40% dos alfaces testados possuíam agrotóxicos proibidos para uso ou em quantidades acima do permitido.

Paranóia ou não ;-) o engraçado é que eu percebi que nos dias subseqüentes à publicação alguns sites de notícias trouxeram artigos com títulos do gênero: “Comer tomates todos os dias faz bem pra pele” ou “Comer tomates combate o câncer de próstata”.

Assim como o phenantrene, e também muito esquisito, se pararmos pra pensar, é que não existem estudos sobre os efeitos da exposição crônica a baixas doses de agrotóxicos em seres humanos, apenas os efeitos agudos – neurotoxicidade e câncer, por exemplo.

E aí fica a pergunta: onde estão os estudos sobre o efeito prolongado da exposição a essas substâncias?

E melhor ainda, por que não adotar o biodiesel (cuja combustão não produz tantos compostos nocivos) e os alimentos orgânicos (que não foram expostos a agrotóxicos)?

2 Respostas
  1. Julio Neto :

    Date: May 31, 2008 @ 2:55 pm

    Bom, muito bom! O motivo pelo qual o biodiesel está sendo criticado lá fora todos sabemos. Já os alimentos orgânicos é por puro valor, são caros, o povo quer o mais barato, pode estar podre, mas estando barato é o que conta.

  2. Wilson Freitas :

    Date: June 9, 2008 @ 1:55 pm

    A biomassa, sem dúvida, será um elemento importante da matriz energética do futuro. Independente do lobby de grupos que lucram com petróleo, isso vai acontecer.

    Só acho importante acrescentar que biocombustíveis é apenas uma das soluções. A redução do uso de combustíveis fósseis só vai ocorrer de verdade com a adoção de várias alternativas em conjunto.

    Quanto a alimentos orgânicos, aí existe outro grande lobby, que é dos fabricantes de pesticidas/fertilizantes. Os orgânicos são caros porque não existe uma cadeia de produção e distribuição para estes produtos. Claro que um produto orgânico sempre será mais caro, mas a diferença poderia ser muito menor.

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