Tecnologia vai às compras

Os mais novos talvez não se lembrem, mas em 1986, José Sarney, então presidente, lançou o Plano Cruzado, que instituía, dentre várias medidas, uma tabela de preços congelados, que as donas de casa levavam ao supermercado. Muitas usavam inclusive um bottom escrito “Fiscal do Sarney”. Havia inflação e os preços mudavam a toda hora. Pesquisar preços naquela época era um filme de terror.

Toda vez que eu vou ao supermercado, eu me lembro, com inveja, daquele filme Nikita, quando a Anne Parillaud sai do treinamento nos porões secretos do inteligência francesa e vai para sua primeira compra de supermercado. Obviamente, ela só compra porcarias e ainda lasca uma cantada no cara do caixa… (obviamente funciona, afinal, ela é a Anne Parillaud) mas um detalhe que eu nunca esqueci: cada carrinho de supermercado tem um leitor de código de barras. Ah, como é bom o primeiro mundo… Nikita foi filmado em 1990.

Me lembra também de um professor do DCC (acho que era o Meira) que uma vez comentou que todo dia de manhã, enquanto ele tomava banho, ele ficava pensando em coisas novas que poderiam ser inventadas. Uma idéia dele era o shopping onde, ao entrar, cada pessoa recebesse um palm que fosse um catálogo de produtos e que automaticamente começasse um leilão entre as lojas do shopping. O mais curioso, ele deve ter falado disso uns 10 anos atrás. 1998? Algo assim.

Mesmo hoje em dia, o custo seria proibitivo, mas as pessoas estão tendo cada vez celulares melhores e mais próximos da funcionalidade dos antigos palms. E não me parece tão inverossímil assim que um celular com GPS ou RFID pudesse localizar as lojas mais próximas e mostrar a “vitrine” adaptativamente.

Ao longo dos últimos 20 anos, nossa economia mudou, e também a relação dos consumidores com os produtos. Mas o que isso tudo tem a ver com inovação tecnológica?

Bem, para quem não acompanhou aqueles boatos do “google phone” (as pessoas achavam que o google ia lançar um aparelho no mercado), o google está entrando rapidamente no mundo dos mobiles através do Google Android, que é uma plataforma de desenvolvimento mobile sustentado por um consórcio bastante significativo de empresas de telefonia.

Como toda boa plataforma, as pessoas compram por causa das funcionalidades e uma das melhores formas de desenvolver aplicativos e ter boas idéias é fazer um concurso. O Google simplesmente falou “vamos distribuir 10 milhões entre os melhores aplicativos desenvolvidos para o Android”, com prêmios que vão de 25.000 doletas para os 50 primeiros com direito a adicionais de 150.000 e 250.000 para cada grupo de 10 primeiros desta lista.

Bem, saiu a lista dos ganhadores e dentre eles (várias idéias boas, como era de se esperar), uma aplicação chamada AndroidScan (tem um vídeo neste link tb), que transforma o celular num leitor de código de barras, dando informações e comparação de preços daquele produto. Afinal, não é só fotografar o código de barras?

Já pensou o que os fiscais do Sarney fariam com um celular destes?

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