Durma-se com um barulho destes
Este é um post sobre uma inovação de muitos anos atrás :-). Ou seja, uma “ivelhação”.
Alguns anos atrás, eu morava num apartamento alugado onde o vizinho de baixo era simplesmente um animal. Um monstrinho de falta-de-educação, impróprio para o convívio com seres humanos. Era barulho todo dia, até umas 2 da matina, gerando reclamações dos 20 moradores do prédio que, pela primeira vez em 50 anos, fizeram um abaixo assinado e enviaram à imobiliária pedindo a saída do Mogli, o vizinho-lobo.
Se meu vizinho fosse um helicóptero, seria bem mais fácil, porque em 1934, já estava patenteado o primeiro sistema de cancelamento ativo de ruídos, e em 1950, já existia um usado para cabines de helicópteros e aviões, que embora bem mais barulhentos, ainda assim são mais educados que meu fatídico ex-vizinho.
O cancelamento ativo de ruídos consiste em gerar anti-ondas sonoras que cancelam as ondas sonoras indesejáveis. O princípio é simples. Se a sua onda sonora consiste em um pico e um vale, uma outra onda sonora de igual intensidade, sincronizada, de um vale e um pico cancela a primeira.
O problema aqui, obviamente, é não só sincronizar direitinho essas ondas, mas a sua capacidade de prever qual vai ser a próxima onda, porque se você errar, uma onda vai somar à outra e o resultado pode ser um barulho ainda pior que o que você quer cancelar.
Felizmente, com algumas técnicas matemáticas como os filtros LMS, essas maravilhas inventadas na década de 60, é possível, usando hardware especializado em processamento digital de sinais (DSP), cancelar ruídos periódicos e repetitivos com uma boa eficiência.
Claro que as coisas começaram a ficar economicamente viáveis só de uns 10 anos prá cá.
Essa tecnologia é usada em um monte de lugares, sem que muita gente saiba. Em britadeiras, turbinas de aviões, motores de carros e caminhões e até fones de ouvido que nem são tão caros assim. Um amigo meu comprou um destes fones muitos anos atrás por uma centena de dólares e a sensação é que você está ouvindo sua música embaixo d’água, porque microfones externos ajudam a cancelar o som externo.
Já uma inovação tecnológica que eduque as pessoas, esta sim é difícil de criar.
April 28, 2008 by Leonardo Kenji Inovação, Processamento de Sinais 0 Comentários