O Design do Dia-a-dia
The Design of Everyday Things foi escrito pelo Donald Norman, sócio do estudioso sobre usabilidade Jakob Nielsen, na Nielsen Norman Group. Norman é formado em engenharia elétrica pelo MIT, lida com ciência cognitiva e psicologia e já foi vice-presidente do grupo de tecnologia avançada da Apple.
Este livro é uma referência para as pessoas que estudam usabilidade. É uma leitura agradável, e que descreve uma análise psicológica que tenta identificar padrões de utilização e de usabilidade, seja de objetos, seja de sistemas (a ênfase vai para os computadores mais no fim do livro)
Comprei e li porque, não é raro, pessoas da computação se vêem na dura tarefa de planejar a interface dos seus sistemas.
Não sei se vocês já perceberam ultimamente com os últimos avanços em interfaces (reactables, MS Surfaces, telefones celulares, interfaces telepáticas, etc), usabilidade tem se tornado algo cada vez mais relevante na qualidade do software, dos sites, e de outras entidades do (nosso) mundo não tão virtual assim da web.
O livro começa analisando vários casos práticos e apresentando conceitos interessantes (muito especialmente, os capítulos sobre os aspectos psicológicos que levam as pessoas a cometerem erros e sobre como as pessoas lidam com suas memórias), depois categoriza os tipos de erros e fecha juntando os conceitos em vários exemplos ilustrativos.
Em especial, gostei de dois aspectos do livro: ele traz a discussão sobre usabilidade a um nível científico e bem estruturado, ao invés de simplesmente analisar um conjunto solto de análises de casos de uso (ou desuso), e leva o leitor a refletir sobre porque as coisas são como são e como elas poderiam ser melhores. Levando em conta, claro, as restrições econômicas, de adaptabilidade e compatibilidade.
Enquanto você lê o livro, vc se vê perguntando “por que camisas com botões não vêm com uma marca no segundo botão e no segundo buraco para que as pessoas não abotoem errado?” ou “quando vc chama o elevador, o botão de baixo significa ELEVADOR, DESÇA DE ONDE VOCÊ ESTIVER ou ELEVADOR, ME LEVE PARA O ANDAR DE BAIXO?”
(pelo menos para a segunda pergunta, existe resposta no livro)
Em especial, achei as partes que falavam sobre os aspectos psicológicos as mais úteis para a minha realidade. Úteis para quem precisa ler um bug report e descobrir onde o usuário achou o erro (ou o que ele acha que foi o erro), ou para quem precisa extrair requisitos numa fase inicial de iteração, por exemplo. E note que debugging e requisitos não têm tanto a ver assim com design de usabilidade
Será que o currículo dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Software já têm disciplinas sobre isso?
Eu, acostumado com a literatura sobre processo de software, confesso que senti uma diferença muito grande em relação à abordagem sobre a psicologia deste livro do Norman, a favor do Norman. Com certeza, o background híbrido do autor, mezzo computação, mezzo psicologia, colaborarou muito em trazer uma ponte relacionando as duas disciplinas dentro um foco interessante. Um tipo de interdisciplinaridade sempre enriquecedora.
Recomendo.
April 24, 2008 by Leonardo Kenji Desenvolvimento, Usabilidade 0 Comentários