Uma vida sem dor
Outro dia (vários meses atrás) li em sites de noticia uma nota sobre o falecimento de um adolescente, vítima de uma queda do telhado de sua casa. O motivo: exibicionismo. O fato é que o rapaz nasceu sem a capacidade de sentir dor física.
Apesar da dor ser um fenômeno necessário para a vida humana (o sentimento de dor pelo menos inibe os seres humanos de se jogarem de telhados ;-), uma vida sem dor é o sonho de todos que passam por momentos difíceis.
Agora vamos ao tema desse post: o caminho para essa panacéia já esta sendo trilhado pela ciência atual. Há pouco mais de um ano (o artigo científico foi publicado no final de 2006), o perfil genético de pessoas que não podem sentir dor física foi traçado. Chegou-se à mais espetacular conclusão: um único gene, o SCN9A, estava mutado, impedindo o funcionamento correto da proteína que ele codifica.
Essa proteína, situada na membrana de células neuronais, denominada canal para sódio dependente de voltagem , tem o papel (grosso modo) de permitir a entrada do íon sódio nas células. Estas proteínas estão diretamente relacionadas com o papel da nocicepção, pois regulam o estimulo elétrico em neurônios e fibras nervosas relacionados à dor. Daí o nome da doença da insensibilidade: chanelopatia associada à insensibilidade à dor (tradução livre).
O legal agora seria a descoberta de uma droga que atue bloqueando especificamente esse canal. Só lembrando que substâncias bloqueadoras de canais de sódio já são conhecidas. Sabe aquele peixe muito apreciado no japão, mas venenoso, o baiacu, ou Fugu? Pois é, ele produz uma das toxinas mais potentes já conhecidas, a tetrodotoxina, que bloqueia especificamente canais de sódio dependentes de voltagem. Paralisa e mata a vítima em poucos minutos.
Agora é só desejar toda a sorte aos cientistas que estão trabalhando com isso (e mais ainda às suas cobaias)! Quem sabe em breve surgirá o analgésico mais poderoso já conhecido.
April 12, 2008 by Maurício Mudado Biotecnologia 0 Comentários
