SNPs, Haplótipos e a promessa de remédios melhores
April 11, 2008 8:20 am Biotecnologia, Data MiningTodos os dias, nos jornais, ouvimos notícias que a ciência progride e que isso nos traz a cura para novas doenças, ou tratamentos mais eficientes, ou mais qualidade de vida, etc.
A computação também tem sua parcela neste esforço. Os problemas que a Biologia busca resolver leva a computação aos seus limites (especialmente em termos de memória e de bancos de dados), porque nosso entendimento dos mecanismos que sustentam a vida ainda não estão completamente compreendidos, e mesmo o que está compreendido apresenta uma complexidade tamanha que alimenta mais e mais os pesquisadores de dúvidas, e assim caminha a ciência.
Aqui no Labs, temos um pequeno, porém dedicado time, de pessoas trabalhando para a Biomind LLC. Nosso trabalho aqui é tentar usar nossa expertise computacional na resolução de problemas de biotecnologia.
Um desses problemas está relacionado com os chamados SNPs, e os biólogos por favor nos perdoem por todas as simplificações a seguir, que serão feitas em detrimento do entendimento de leigos, que imagino, sejam a maioria dos leitores aqui.
Sequências no DNA das pessoas, às vezes diferem por pequenos pedaços. Quando essa diferença ocorre em 1 nucleotídeo, dizemos que é uma Single Nucleotide Polymorphism, ou SNP. Essa diferença acontece em diferentes proporções para diferentes populações, e os cientistas estimam que o homem tenha em torno de 10 milhões de SNPs.
O problema, claro, é que o SNP sozinho não diz muito, então o que os cientistas procuram, geralmente, são vários SNPs ao longo do DNA. Supondo que para cada SNP, haja uma variação de 2 nucleotídeos (pode ser A ou G por exemplo) e que o cientista esteja estudando 3 SNPs, você tem 2 x 2 x 2 = 8 possibilidades de variações de DNA. Cada combinação é um haplótipo.
Na prática, nem sempre alguns desses haplótipos se manifestam na natureza, então digamos que das 8 possibilidades, apenas 4 sejam presentes na nossa população. Lembrando, claro, que cada pessoa tem 2 haplótipos: um herdado da mãe e outro do pai (e mesmo assim, vc ainda pode ter dois haplótipos iguais, um do seu pai e outro da sua mãe)
O que identifica cada pessoa, em termos de SNPs, é este par de haplótipos, que chamamos de Profile.
Vamos supor agora que uma determinada droga, digamos, viagra [obviamente, um truque sujo para as pessoas caírem aqui via google], funciona muito bem para pessoas que possuem profile tipo A, não funcione para pessoas que possuem profile do tipo B e cause impotência nas pessoas do tipo C (tadinhos!).
Bem, vamos todos concordar que as pessoas seriam mais felizes se as pessoas do tipo B e C não tivessem que descobrir, por tentativa e erro (como é feito hoje) que viagra não é bom para elas.
Então é nisso que trabalhamos: para ajudar a vida íntima das pessoas… bem, não só isso. Você pode estender isso para uma gama muito grande de medicamentos, então no resto da vida das pessoas também. Nos estudos sobre câncer, sobre envelhecimento, toxicidade de medicamentos, etc.
Em poucas palavras: remédios mais adequados às características determinadas pela sua herança genética.
Claro que a Biomind também tem pesquisas muito interessantes em outras áreas também, e biotecnologia por si só já é uma área prá lá de interessante, que influencia a vida de todos, portanto, aguardem mais posts sobre este assunto aqui.
