Microcrédito com ares de web 2.0
Microcrédito, de acordo com a Wikipedia, é emprestar quantias bem pequenas para pessoas que não têm como obter crédito no sistema financeiro tradicional. Pobres, desempregados, “empreendedores” de economia informal não têm como dar garantias bancárias e o sistema tradicional de crédito via bancos ou financeiras não os atende.
Microcrédito é uma idéia razoavelmente antiga, que se tornou popular depois de casos de sucesso no Bangladesh na década de 70, principalmente o do Grameen Bank. Em 2006 o banco e seu fundador receberam o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento ao profundo poder de transformação social do microcrédito.
Hoje em dia há milhares de organizações no mundo todo dedicadas ao microcrédito, inclusive no Brasil, embora o país ainda tenha muito a fazer no amadurecimento dessa idéia. A maior parte das organizações se divide em dois grupos: ONGs sem fins lucrativos e que recebem doações de capital para emprestar e bancos especializados, muitas vezes braços de bancos maiores tradicionais. As ONGs de microcrédito enfrentam o problema comum a todas as ONGs: levantar fundos.
Em 2005, um casal do Vale do Silício resolveu criar uma startup de microcrédito. Nascia a Kiva. Sem fins lucrativos, a Kiva permite que qualquer pessoa se registre e empreste pequenas quantias usando seu cartão de crédito ou conta no PayPal. Uma rede de organizações associadas mundo afora cadastra e seleciona as pessoas que receberão os empréstimos. O valor típico de um empréstimo é de algumas centenas de dólares, e cada usuário da Kiva participa com uma cota fixa de US$25. Dessa forma, cada empréstimo é um esforço colaborativo, bem dentro do paradigma Web 2.0.
E funciona? Sim, funciona. A Kiva explodiu e continua crescendo de forma exponencial. Em pouco mais de dois anos, ela emprestou mais de US$25 milhões. Foram mais de 37 mil empréstimos em 42 países, financiados com cotas de mais de 250 mil pessoas.

E isso não é tudo. De todos esses empréstimos, 99.9% foram pagos integralmente. Não existe banco tradicional no mundo que chegue perto disso. Só pra comparar, no Brasil a taxa de inadimplência de empréstimos bancários para pessoa física é de 7%, segundo o Banco Central.
Há quatro meses eu entrei na onda. Fiz dois empréstimos. O primeiro para a Sra. Selina John, que tem uma barraca de vender cerveja e refrigerantes em Dar Es Salaam, Tanzânia. O segundo para o Sr. Angel Peralta, do Equador. Confesso que escolhi pelo nome, mas depois vi que o Sr. Peralta já contraiu e pagou outros empréstimos anteriormente.
Selina já pagou todo o seu empréstimo. Com o dinheiro ela aumentou seu estoque e seus lucros mensais. Quando você empresta dinheiro, só o recebe de volta depois que todas as prestações (em geral mensais) são pagas. O dinheiro é creditado na sua conta da Kiva e você pode sacá-lo ou reemprestar.
A sensação de ajudar diretamente essas pessoas é viciante. A Kiva cria perfis de cada pessoa, com fotos e historinhas, o que cria um vinculo emocional. Ou seja, assim como a grande maioria dos outros usuários, nem pensei em sacar minha grana. Já estou à procura do próximo empréstimo. E torcendo pra que logo alguma organização de microcrédito do Brasil esteja madura o suficiente para atender aos critérios de cadastramento da Kiva
E isso não é tudo. De todos esses empréstimos, 99.9% foram pagos integralmente. Não existe banco tradicional no mundo que chegue perto disso. Só pra comparar, no Brasil a taxa de inadimplência de empréstimos bancários para pessoa física é de 7%, segundo o Banco Central.
Há quatro meses eu entrei na onda. Fiz dois empréstimos. O primeiro para a Sra. Selina John, que tem uma barraca de vender cerveja e refrigerantes em Dar Es Salaam, Tanzânia. O segundo para o Sr. Angel Peralta, do Equador. Confesso que escolhi pelo nome, mas depois vi que o Sr. Peralta já contraiu e pagou outros empréstimos anteriormente.
Selina já pagou todo o seu empréstimo. Com o dinheiro ela aumentou seu estoque e seus lucros mensais. Quando você empresta dinheiro, só o recebe de volta depois que todas as prestações (em geral mensais) são pagas. O dinheiro é creditado na sua conta da Kiva e você pode sacá-lo ou reemprestar.
A sensação de ajudar diretamente essas pessoas é viciante. A Kiva cria perfis de cada pessoa, com fotos e historinhas, o que cria um vinculo emocional. Ou seja, assim como a grande maioria dos outros usuários, nem pensei em sacar minha grana. Já estou à procura do próximo empréstimo. E torcendo pra que logo alguma organização de microcrédito do Brasil esteja madura o suficiente para atender aos critérios de cadastramento da Kiva
--> March 18, 2008 by Cassio Pennachin Inovação, Web 2.0 0 Comentários

